A resistência do Centrão ao nome de Romeu Zema como possível vice de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026 ganhou novos contornos. O motivo não é apenas político: são as declarações passadas do ex-governador mineiro sobre o Nordeste que assombram os estrategistas da direita.
Para líderes do bloco parlamentar, que preferem a ex-ministra Tereza Cristina na vice, as falas de Zema representam uma “bomba eleitoral” nas mãos dos adversários. A avaliação é que o governo Lula explorará cada vírgula dessas declarações em campanha.
O que disse Zema sobre o Nordeste
Em 2023, durante entrevista, o ex-governador defendeu uma articulação entre Sul e Sudeste como resposta aos movimentos dos governadores nordestinos. Na mesma ocasião, comparou o Brasil a um “produtor rural” que estaria favorecendo regiões menos produtivas – uma referência clara ao Nordeste.
As declarações foram vistas como um “desastre político” e “chuva de preconceitos” pelos líderes do Centrão. A preocupação é que essas falas contaminem toda a campanha presidencial da direita.
A ironia nas redes sociais
Apesar da resistência interna, Zema continua sendo o favorito do núcleo duro de Flávio Bolsonaro. No fim de semana, após pesquisa Datafolha mostrar empate entre Flávio e Lula, os dois protagonizaram uma encenação nas redes sociais.
Em vídeo conjunto, Zema brinca: “Pessoal, estou aqui fazendo um convite para o Flávio ser meu vice. O que vocês acham?”. Flávio responde ironicamente “Será?” e os dois brindam, entre risos.
A performance digital, porém, não convence os pragmáticos do Centrão. Eles sabem que uma campanha presidencial se ganha no território – e o Nordeste tem 27% do eleitorado nacional.
A resposta nordestina
O Consórcio Nordeste não deixou passar em branco. A entidade afirmou que Zema demonstra “uma leitura preocupante do Brasil” e lembrou que Norte e Nordeste foram historicamente penalizados por políticas de desenvolvimento nacional.
Para os estrategistas políticos, é exatamente esse tipo de resposta organizada que pode transformar as declarações de Zema em munição permanente contra a chapa de Flávio Bolsonaro.
A matemática é simples: em 2022, Lula venceu Bolsonaro com ampla vantagem no Nordeste. Repetir declarações que soem como desprezo pela região pode ser o erro fatal que a direita não pode cometer em 2026.
Com informações do G1.
https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2026/04/13/centrao-rejeita-zema-como-vice-de-flavio-e-ve-fala-sobre-nordeste-como-bomba-eleitoral.ghtml
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