O Banco Central funciona com duas cadeiras vazias na diretoria desde o final de dezembro. Cinco meses depois, o presidente Lula ainda não sinalizou quem vai indicar para ocupar os postos — um reflexo direto da crise política com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O imbróglio começou com a queda de braço em torno da vaga no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre queria que Lula indicasse o senador Rodrigo Pacheco para o STF. O presidente insistiu em Jorge Messias, advogado-geral da União. Result: articulação do Senado derrubou Messias, uma derrota inédita para o Palácio do Planalto.
Sinais contraditórios do Congresso
A tensão, no entanto, não contaminou toda a agenda econômica. Na semana passada, o Senado aprovou Otto Lobo para presidir a Comissão de Valores Mobiliários — um nome controverso, envolvido em polêmicas no próprio órgão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse à CNN que ainda não conversou com Lula sobre as indicações do BC. Mas demonstrou otimismo: acredita que o Congresso não quer prejudicar a economia.
As duas vagas abertas são nas diretorias de Organização do Sistema Financeiro e de Política Econômica. Os antigos ocupantes foram indicados por Bolsonaro. Com as novas nomeações, o Comitê de Política Monetária ficará inteiramente nas mãos de indicados por Lula.
Timing delicado para o BC
O momento não poderia ser mais sensível. O Banco Central enfrenta ataques após os escândalos do Banco Master. A Selic está em 14,50%, num ciclo de flexibilização monetária que exige coordenação técnica.
O processo de indicação leva de um a dois meses. Os nomes precisam passar pela sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos e pelo tradicional “beija-mãos” nos gabinetes senatoriais.
Mas 2026 complica tudo. É ano eleitoral — parlamentares se afastam de Brasília para disputar reeleição. Há o risco de as sabatinas ficarem para depois da eleição. Se Lula perder, quem indica os novos diretores é o presidente eleito.
Fernando Haddad, quando ainda era ministro da Fazenda, chegou a citar dois nomes. Ambos foram rejeitados pelo mercado e por senadores — considerados “muito à esquerda” para o gosto da Faria Lima.
Lula agora precisa equilibrar critério técnico e aceitação política, numa corda bamba que define o futuro da autoridade monetária.
Com informações de Metrópoles.
https://www.metropoles.com/brasil/lula-alcolumbre-diretoria-bc-desfalcadaEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



