O setor financeiro voltou a defender que não adianta atacar apenas o crédito rotativo do cartão para resolver o endividamento das famílias brasileiras. A modalidade, que cobra juros de até 450% ao ano, representa apenas 2,7% do total de empréstimos no país.
Executivos de empresas de cartão argumentam que é preciso uma “abordagem mais ampla” para enfrentar o problema. Segundo eles, focar só no rotativo seria insuficiente para reduzir o sufoco financeiro que atinge milhões de lares.
O que dizem os bancos
A tese do setor é que outras modalidades de crédito também contribuem para o endividamento excessivo. Financiamentos imobiliários, empréstimos consignados e até o parcelado do cartão entrariam na conta.
“É uma visão reducionista achar que o problema está concentrado numa única modalidade”, afirmou um executivo do setor durante evento em São Paulo.
A posição surge em momento de pressão sobre os bancos. O Banco Central vem estudando medidas para reduzir os juros do rotativo, que estão entre os mais altos do mundo.
A realidade das famílias
Mesmo representando fatia pequena do total de crédito, o rotativo é devastador para quem cai nessa armadilha. A modalidade funciona como uma espécie de cheque especial do cartão — quando o cliente não paga a fatura integral, os juros incidem sobre o valor restante.
No Rio Grande do Norte, dados do Serasa mostram que 66% das famílias estão endividadas. Muitas acabam no rotativo por falta de educação financeira ou por necessidade mesmo, quando o dinheiro não fecha no fim do mês.
O problema é que os juros estratosféricos transformam uma dívida pequena em bola de neve. Uma família que deve R$ 1.000 no rotativo pode ver esse valor dobrar em poucos meses se não conseguir quitar.
Pressão regulatória
O Congresso Nacional discute projetos para limitar os juros do rotativo. Uma das propostas estabelece teto de 100% ao ano — ainda alto, mas bem menor que os atuais 450%.
Os bancos resistem a mudanças mais drásticas. Alegam que limitações muito rígidas podem reduzir a oferta de crédito e prejudicar justamente quem mais precisa de financiamento.
A discussão ganha força num momento em que o endividamento das famílias bate recordes. Para muitas pessoas, especialmente no Nordeste, o cartão virou a única forma de acesso ao crédito — mesmo que pelos juros mais caros do mercado.
Com informações de Folha de S.Paulo.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/04/setor-de-cartoes-defende-abordagem-ampla-para-reduzir-endividamento-das-familias.shtml
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