Enquanto milhões de aposentados brasileiros enfrentavam cortes ilegais em seus benefícios, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS” — operava uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já descobertas no país.
A CPMI do INSS revelou que a organização movimentou impressionantes R$ 39 bilhões através de 41 empresas de fachada. Para ter ideia da magnitude: esse valor supera o Produto Interno Bruto de estados inteiros como Roraima, Acre e Amapá.
Como funcionava o esquema
O mecanismo era cruel em sua simplicidade. Entidades fantasmas realizavam descontos ilegais nas aposentadorias de idosos, enviando o dinheiro roubado para o operador principal.
Entre essas organizações, destacam-se a Abapen (que drenou R$ 37,3 milhões), a Abrasprev (R$ 1,6 milhão) e a CBPA (R$ 680 mil). No total, o “Careca” recebeu R$ 353,8 milhões dessas entidades criminosas.
Desse montante, pelo menos R$ 150 milhões foram “lavados” através de quatro empresas principais: Arpar Administração, Dinar, HBR Capital e Spyder. Esta última, sozinha, movimentou R$ 371 milhões.
A rede também servia o crime organizado
A investigação revelou algo ainda mais grave: a mesma estrutura que roubava aposentados também atendia o Primeiro Comando da Capital (PCC) e até mesmo o grupo terrorista libanês Hezbollah.
Empresas como BK BANK, Wave Intermediações e 2GO BANK serviam simultaneamente a diferentes organizações criminosas, criando um verdadeiro supermercado da lavagem de dinheiro.
Empresas fantasmas com perfil típico
Os 41 CNPJs da rede apresentavam características clássicas de empresas de fachada: zero funcionários, endereços residenciais como sede, ausência total nas redes sociais.
No papel, os sócios eram pessoas completamente alheias ao mundo empresarial — beneficiários de programas sociais, moradores de estados distantes, até mesmo uma idosa de 90 anos já falecida.
O dinheiro circulava intensamente entre as empresas por cerca de um ano e meio, antes de ser enviado ao exterior ou convertido em criptomoedas. Depois, os CNPJs eram simplesmente cancelados, eliminando rastros.
Prejuízo muito além do INSS
Os R$ 39 bilhões movimentados pela rede superam em mais de seis vezes os R$ 6,3 bilhões estimados como prejuízo direto da “Farra do INSS”.
Isso ocorre porque a mesma infraestrutura atendia múltiplos esquemas criminosos — desde o roubo de aposentadorias até operações do crime organizado, passando por corrupção no setor esportivo e minerário.
Enquanto isso, aposentados continuavam tendo seus benefícios reduzidos ilegalmente para alimentar essa gigantesca máquina de lavagem de dinheiro.
Com informações de Metrópoles.
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