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Oficialmente, 11,6 mil veículos circulam no Rio Grande do Norte com o Certificado de Segurança Veicular (CSV) vencido, trafegando de forma irregular pelas ruas e rodovias potiguares. O número, no entanto, pode ser ainda maior. Muitos motoristas, para evitar os custos com a inspeção anual e com a regularização da conversão no Detran, optam por rodar sem atualizar a documentação. Há ainda situações mais graves: carros convertidos em oficinas não homologadas, sem qualquer inspeção por organismos credenciados ao Inmetro, o que compromete seriamente a segurança do sistema.
De acordo com dados oficiais, a frota que utiliza o Gás Natural Veicular (GNV) como um dos combustíveis no RN é de quase 55 mil veículos. Isso significa que milhares estão circulando sem o devido atestado de segurança.
Fiscalização inexistente, medo constante
Usuária de GNV desde o início dos anos 2000, a jornalista Ilana Albuquerque diz que, em mais de 20 anos, jamais foi abordada em uma blitz para checagem do CSV. A falta de controle se estende também aos postos de combustíveis, onde o documento também não é exigido.
Ilana conta que já teve vários veículos a gás ao longo dos anos, e hoje continua usando o sistema pela economia. “O gás é um combustível mais econômico mesmo em relação ao preço. Agora, por exemplo, desde esse ano, o IPVA de carros a gás no Rio Grande do Norte tem desconto de 50%”.
Mas quem converte por fora paga menos ainda, porque nem documento regulariza. É aí que mora o perigo.
“É sempre uma apreensão quando a pessoa vai abastecer o carro num posto de gás”, relata. Segundo ela, muitos estabelecimentos sequer pedem para abrir a mala do carro, o que deveria ser medida básica de segurança para verificar o estado do cilindro.
Ela aponta ainda que, com o crescimento das oficinas clandestinas, muitos veículos rodam com instalações irregulares, sem nenhuma inspeção técnica. “O posto inteiro vai pelos ares se acontecer alguma coisa — e ninguém cobra nada.”

Riscos reais
De acordo com o engenheiro Domingos Júnior, especialista em inspeções de GNV, a situação é crítica. O principal problema é o descumprimento do ciclo de manutenção obrigatório.
“O cilindro de gás precisa ser requalificado a cada cinco anos. Sem inspeção, o dono pode não perceber que o prazo venceu — e isso pode levar à explosão, explicou.
Ele lembra que os veículos que não oficializam a conversão deixam de passar pela inspeção inicial de ruídos e de emissão de gases, prevista pelo Inmetro e pela Senatran. O risco, segundo ele, não é apenas mecânico, mas também ambiental.
A conta da omissão
Ilana considera que o problema não está apenas na negligência dos motoristas e dos postos de gasolina, mas também na omissão dos órgãos públicos. Para ela, o Detran tem papel limitado, já que só consegue atuar sobre os veículos oficialmente convertidos. Já os instalados por fora do sistema permanecem invisíveis ao controle.
Ela acredita que a responsabilidade deveria ser dividida entre os postos e as polícias rodoviárias. “As blitzes, vendo que o carro tem gás, exigir a comprovação de que aquele gás está regularizado, de que está em dia com a inspeção.”, afirma. “Não sei por que não é feito isso. Só sei que deveria ser feito.”
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