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A Concessionária Fantasma: Como Um Professora Infantil de Parnamirim e Seu Irmão Montaram Uma Concessionária de Fachada Que Movimentou Quase R$ 20 Milhões, Segundo a Operação Amicis

Dinarte Assunção Por Dinarte Assunção
2 de julho de 2025 - Atualizado em 4 de julho de 2025
Tempo de Leitura: 10 mins
A Concessionária Fantasma: Como Um Professora Infantil de Parnamirim e Seu Irmão Montaram Uma Concessionária de Fachada Que Movimentou Quase R$ 20 Milhões, Segundo a Operação Amicis
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O que você vai ler:

  • O Endereço Impossível
  • A Professora e o Irmão
  • Fraude Com Procurações
  • Os Números que Não Mentem
  • A Conta Corrente do Crime
  • O Controle Familiar
  • A Hierarquia do Esquema
  • O Fim da Farsa
  • A Lição dos Irmãos

O Endereço Impossível

Na Rua Aurino Vila, número 401, Casa 52, no bairro Emaús, em Parnamirim, região metropolitana de Natal, deveria funcionar uma concessionária de veículos seminovos. A R B Alecrim Comércio de Veículos Ltda., CNPJ 32.091.923/0001-92, estava devidamente registrada na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte. Nos papéis, tudo parecia em ordem.

A realidade, porém, era outra. Quando os investigadores da Polícia Civil chegaram ao endereço cadastral, encontraram algo que os autos da Operação Amicis descrevem com precisão cirúrgica: “o endereço corresponde a uma casa situada dentro de um condomínio residencial na cidade de Parnamirim”. A conclusão foi inevitável: “não há a menor possibilidade de a empresa funcionar neste endereço”.

A descoberta revelou uma verdade incômoda sobre a R B Alecrim: ela era uma das “empresas de fachada e não funcionam nos endereços cadastrados perante à JUNTA COMERCIAL DO ESTADO”. Uma concessionária que nunca vendeu um carro sequer, mas que, entre março de 2021 e dezembro de 2022, movimentou quase R$ 20 milhões.

operação Amicis
Rua Aurino Vila é onde se encontra condomínio residencial. Concessionária de carros que movimentou quase R$ 20 milhões estava nesse endereço

A Professora e o Irmão

Por trás da empresa fantasma estavam dois irmãos que dividiram papéis com a precisão de uma peça teatral bem ensaiada. Rachel Bahia Alecrim, aparecia nos documentos oficiais como a proprietária da concessionária. Alexandre Bahia Alecrim permanecia nas sombras, mas era quem realmente comandava as operações.

O Blog do Dina contatou Rachel mas ela não respondeu até a publicação desta reportagem. Não localizamos Alexandre Bahia.

Os autos da investigação são categóricos sobre a divisão de responsabilidades: “há indícios de que a empresa nunca funcionou no endereço cadastrado e que, na realidade, quem a administrava era seu irmão, Alexandre Bahia Alecrim”. Rachel emprestava o nome e a identidade legal; Alexandre operava as transações bancárias e administrava os milhões que passavam pela empresa.

A escolha dos papéis não era casual. Rachel, segundo os autos, “não apresenta indícios de ser empresária de fato”, mas possuía algo valioso para o esquema: um nome limpo e uma profissão respeitável. Nas redes sociais, mantinha um perfil discreto, onde aparecia em publicações religiosas e grupos de oração.

Alexandre, por outro lado, trazia para a sociedade fraternal algo que Rachel não tinha: experiência no ramo automotivo. Os autos indicam que “ALEXANDRE BAHIA é quem já atuou no ramo de veículos” e que ele “já teve loja de veículos”. Esta experiência prévia no setor explicaria sua função como o verdadeiro administrador da concessionária de fachada.

Fraude Com Procurações

A estrutura operacional criada pelos irmãos Alecrim era mais sofisticada do que aparentava. Alexandre não se limitava a administrar a empresa da irmã. Através de uma rede de procurações registradas no Cartório único de Caiçara do Rio do Vento, ele ampliou significativamente seu poder de atuação.

A atividade cartorial, importante frisar, não tem responsabilidade sobre o uso que as pessoas fazem de certidões e procurações lavradas. Em Caiçara do Rio do Vento não foi diferente, razão pela qual o cartório e seus funcionários não são investigados.

A primeira procuração, registrada no livro 11, folhas 282, foi outorgada por Rachel em favor de Alexandre. Era o documento que formalizava o que já acontecia na prática: o irmão administrando os negócios em nome da irmã.

A segunda procuração, registrada no livro 07, folhas 127, foi outorgada pela própria R B ALECRIM ME em favor de Alexandre. Era a empresa dando poderes ao seu verdadeiro operador.

Mas havia uma terceira procuração que revelava a extensão real da rede de Alexandre. No livro 08, folhas 264, estava registrada uma procuração outorgada por Luiz Carlos Bezerra Junior, proprietário da COOPHABEER DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. Os autos revelam que esta empresa tinha seus “cheques utilizados por JOÃO EDUARDO e cujas transações do RIF revelaram intensa movimentação de recursos financeiros para empresas deste”.

A COOPHABEER era utilizada pelo “casal JOAO EDUARDO e LAYANA para realizar outras transações”, conectando Alexandre diretamente aos líderes da organização criminosa investigada na Operação Amicis.

Os Números que Não Mentem

Entre março de 2021 e dezembro de 2022, a R B Alecrim se transformou em um verdadeiro furacão financeiro. Segundo informações da IPJ nº 20/2024, a empresa “teria movimentado cerca de R$ 9.818.254,38 milhões de reais no
crédito e R$ 10.086.769,53 milhões de reais no débito”, totalizando quase R$ 20 milhões em pouco mais de um ano e meio.

Os valores eram astronômicos para uma empresa que nunca funcionou. Para efeito de comparação, uma concessionária real de veículos seminovos de médio porte dificilmente movimentaria metade desse valor no mesmo período. A R B Alecrim, que existia apenas no papel, superava em movimentação financeira estabelecimentos comerciais reais e prósperos.

Os autos documentam transações específicas que revelam o padrão de operação da empresa fantasma. A SCHALK CIDADE JARDIM enviou R$ 281.939,99 para a RB Alecrim através da SCHALK CIDADEVERDE. Aempresa também enviou R$ 163.000,00 para outras empresas do esquema e R$ 265.000,00 para a ANO ESTAMPAS LTDA.

O padrão era sempre o mesmo: valores altos, sem contrapartida comercial aparente, envolvendo empresas que os investigadores descobririam estar todas conectadas ao mesmo esquema criminoso.

Fluxo de dinheiro a partir da loja de carros e fachada.

A Conta Corrente do Crime

A análise dos investigadores sobre a função da R B Alecrim foi precisa e reveladora. Os autos concluem: “O elevado volume de movimentações financeiras, aliado ao fato de a empresa ser uma fachada, reforça a hipótese de que se trata de uma conta de passagem utilizada para a entrada, o distanciamento e o subsequente retorno de valores provenientes de atividades ilícitas.”

A empresa funcionava como uma espécie de “conta corrente” para a organização criminosa. Recebia valores das lojas SCHALK, redistribuía recursos para outras empresas do grupo, dava aparência de legalidade às transações e dificultava o rastreamento dos recursos.

A escolha do ramo automotivo para a empresa de fachada não era casual. O comércio de veículos justifica naturalmente movimentações financeiras de alto valor, facilitando a camuflagem de operações ilícitas. Uma transferência de R$ 200 mil pode parecer suspeita vinda de uma loja de roupas, mas é perfeitamente normal em uma concessionária de veículos.

O Controle Familiar

A estrutura de controle da R B Alecrim revelava a sofisticação do esquema familiar. Os autos mostram que “ALEXANDRE BAHIA está registrado como responsável pelas contas bancárias da RB ALECRIM, juntamente com RACHEL BAHIA”. Um extrato bancário documenta no campo “PESSOAS COM AS QUAIS O CLIENTE MANTÉM RELACIONAMENTO”: RB ALECRIM, ALEXANDRE e RACHEL BAHIA ALECRIM.

Era uma operação familiar no sentido mais literal da palavra. Rachel fornecia a identidade legal, Alexandre operava as transações, e ambos dividiam o controle das contas bancárias. A confiança entre irmãos substituía contratos formais e acordos escritos.

A investigação descobriu que a empresa passou por “alteração e transformação”, quando “o nome social, antes R B ALECRIM, passou a ser R B ALECRIM COMERCIO DE VEICULOS LTDA”. Era uma evolução natural: conforme o esquema se sofisticava, a empresa também precisava aparentar maior profissionalismo.

A Hierarquia do Esquema

Na classificação elaborada pelos investigadores da Operação Amicis, Rachel e Alexandre ocupavam posições diferentes na hierarquia da organização criminosa. Rachel foi classificada no “Núcleo Fungível”, como “interposta pessoa” que emprestava seu nome para dar aparência de legalidade às operações. Sua função era puramente formal como proprietária registrada.

Alexandre, por outro lado, foi classificado no “Núcleo Amigo Colaborador”, posicionado “um degrau abaixo na hierarquia da Organização Criminosa” em relação aos líderes, mas com função ativa como administrador real da empresa e responsável pelas movimentações bancárias.

A diferença de classificação refletia a diferença de papéis. Rachel era a fachada; Alexandre era o operador. Ela emprestava a identidade; ele movimentava os milhões.

O Fim da Farsa

Em 25 de junho de 2025, a vida tranquila dos irmãos Alecrim chegou ao fim. A Operação Amicis cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços residencial e comercial de ambos. Rachel teve buscas em dois locais; Alexandre foi alvo de busca residencial e comercial.

As medidas cautelares aplicadas foram severas. Ambos tiveram bens sequestrados no valor de R$ 136.440,76 cada um, contas bancárias bloqueadas e proibição de deixar o país. A R B Alecrim, que nunca funcionou como concessionária, finalmente parou de funcionar como instrumento financeiro da organização criminosa.

Os autos incluem evidências documentais que contam a história completa: extratos bancários da R B Alecrim, diagramas de movimentação financeira, fotos dos endereços cadastrais, documentos pessoais de Rachel, registros de procurações e comunicações do sistema de inteligência financeira.

A Lição dos Irmãos

A história de Rachel e Alexandre Bahia Alecrim ilustra como organizações criminosas modernas se adaptaram aos tempos digitais e à fiscalização bancária. Em vez de usar pessoas em situação de vulnerabilidade social como “laranjas”, o esquema evoluiu para utilizar vínculos familiares e pessoas com perfis aparentemente respeitáveis.

A investigação concluiu que a R B Alecrim era “comprovadamente uma empresa de fachada” que “nunca funcionou de fato” nos endereços cadastrados. A empresa servia exclusivamente como instrumento financeiro da organização criminosa, com Rachel fornecendo a identidade legal e Alexandre operando as transações bancárias.

Os irmãos Bahia Alecrim representam um modelo típico identificado na Operação Amicis: o uso de vínculos familiares para criar empresas de fachada, aproveitando-se da confiança entre irmãos para dividir responsabilidades formais e operacionais no esquema criminoso.

No final, a concessionária que nunca vendeu um carro movimentou quase R$ 20 milhões. A empresa que nunca funcionou operou como uma das principais peças do esquema de lavagem de dinheiro. E os irmãos que dividiram papéis com precisão teatral descobriram que, na vida real, não há roteiro que escape da investigação policial.

A R B Alecrim Comércio de Veículos Ltda. entrou para a história não como uma concessionária de sucesso, mas como um exemplo de como a criatividade criminosa pode criar empresas que existem apenas para não existir, que funcionam apenas para não funcionar, e que vendem apenas a ilusão de legalidade em um mercado onde o produto mais valioso é a aparência de normalidade.

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