O governo Lula passou por sua maior reforma ministerial desde 2023. Dezessete ministros deixaram seus cargos até este sábado (4) para disputar as eleições de outubro, cumprindo o prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral.
A regra obriga ocupantes de cargos públicos a se afastarem seis meses antes do primeiro turno caso queiram concorrer a mandatos eletivos. Presidente e vice-presidente são as únicas exceções.
Entre as saídas mais emblemáticas estão Fernando Haddad (Fazenda), que disputará o governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), confirmado como vice na chapa de reeleição de Lula.
Nordeste perde força na Esplanada
A região Nordeste foi especialmente afetada pela dança das cadeiras. Rui Costa, ex-governador da Bahia e ministro da Casa Civil, deixa o posto para tentar uma vaga no Senado baiano. Renan Filho sai dos Transportes para disputar novamente o governo de Alagoas, estado que já comandou por dois mandatos.
Silvio Costa Filho, que deixou os Portos e Aeroportos, tinha planos de concorrer ao Senado por Pernambuco, mas deve se contentar com a reeleição para deputado federal.
A saída simultânea desses ministros nordestinos reduz significativamente a representação regional no primeiro escalão do governo, justamente num momento em que o Nordeste enfrenta desafios como a seca e a necessidade de investimentos em infraestrutura.
Continuidade sem renovação
Para substituir os ministros que partiram, Lula optou por promover secretários-executivos das próprias pastas. A estratégia, segundo o presidente, visa manter a continuidade dos trabalhos em andamento.
Dario Durigan assume a Fazenda no lugar de Haddad. Miriam Belchior vai para a Casa Civil. George Santoro fica com os Transportes. Márcio Elias Rosa comanda o Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Gleisi Hoffmann, que deixou as Relações Institucionais para disputar o Senado no Paraná, ainda não teve substituto anunciado. O secretário-executivo Marcelo Costa assume interinamente.
A reforma ministerial de abril de 2026 pode ser lembrada como o momento em que o governo Lula trocou experiência política por continuidade técnica — uma aposta que será testada nos meses decisivos que antecedem as eleições.
Com informações de G1.
Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



