A guerra no Oriente Médio está servindo como um raio-X brutal da dependência petróleo global. Quando navios carregados de gás liquefeito conseguem uma rara exceção para passar pelo Estreito de Ormuz, fica claro que três anos após os compromissos da COP28, o mundo ainda gira em torno do “ouro negro”.
Em 2023, a comunidade internacional prometeu iniciar uma transição para abandonar os combustíveis fósseis. Alguns celebraram como o começo do fim do petróleo. Hoje, o conflito atual evidencia que essa dependência não mudou — e suas consequências vão muito além do impacto ambiental.
O vício econômico que paralisa nações
Se os mercados financeiros respiram conforme as oscilações do preço do barril, é porque seus agentes estão profundamente ligados aos hidrocarbonetos. A dependência vai além dos países obviamente petroleiros.
“A gente não pode fazer a transição quebrando de um dia para o outro as empresas de combustíveis fósseis, porque isso seria um desastre econômico planetário sem precedentes”, explica Claudio Angelo, do Observatório do Clima do Brasil, conforme mostrou o G1. Gigantes bancários como o HSBC quebrariam.
No Brasil, a Petrobras é um pilar da balança comercial. Retirar a empresa da equação desmontaria a economia, já que o petróleo figura entre os principais produtos de exportação. É um paralelo direto com outros países dependentes de commodities energéticas.
A Colômbia exemplifica essa armadilha: seu presidente Gustavo Petro pede alívio da dívida soberana para viabilizar sua promessa de não conceder novos contratos de exploração. A dependência econômica criou uma camisa de força.
O lobby mais poderoso da Terra
Potências exportadoras como Estados Unidos, Canadá e Austrália têm recursos para bancar a transição energética. Mas falta vontade política, segundo Bill Hare, diretor do Climate Analytics, como relatou a reportagem original.
O retorno de Trump ao poder, com seu slogan “perfura, querido, perfura”, simboliza essa resistência. Junto ao avanço global da extrema direita, os interesses econômicos voltam a ser priorizados em detrimento da luta climática.
As petroleiras — da americana ExxonMobil à saudita Aramco — defendem seus interesses nos bastidores das conferências da ONU, às vezes por meio de grandes consultorias. “O setor de óleo e gás é o lobby mais poderoso da Terra”, resume Angelo. “Há 30 anos ele joga para adiar mudanças.”
A guerra atual serve como mais uma evidência de que a promessa da COP28 está longe de ser cumprida. O petróleo continua movendo — e paralisando — o mundo.
Com informações de G1.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/21/por-que-e-tao-dificil-abandonar-o-petroleo.ghtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



