O mercado financeiro voltou a demonstrar nervosismo depois que os Estados Unidos bloquearam o Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (13). A medida reacende preocupações sobre os preços dos combustíveis no Brasil, num momento em que a inflação já mostra sinais de pressão.
O canal marítimo é uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. Quando o fluxo por lá fica comprometido, a oferta global da commodity encolhe e os preços disparam.
Petróleo mais caro por mais tempo
Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a tensão entre Estados Unidos e Irã deixou de ser questão secundária. Agora influencia diretamente a formação de preços globais ao atingir um ponto crítico da cadeia energética.
“Uma parcela relevante do petróleo global passa por essa região que está sob risco. O mercado lida com maior incerteza sobre oferta, o que pressiona ainda mais os preços”, explica a executiva.
As projeções para o barril de petróleo Brent já foram revisadas para cima. O cenário anterior apontava variação entre US$ 75 e US$ 85 ao longo de 2026. Com a crise, analistas agora trabalham com faixa de US$ 85 a US$ 95.
Inflação brasileira já sente o impacto
Os dados de março do IPCA confirmaram o que muitos brasileiros já sentem no bolso: a guerra está pressionando a inflação nacional. O índice subiu 0,88% no mês, acima do esperado pelos economistas (0,7%).
O grupo Transportes liderou a alta com 1,64%, puxado pela elevação de 4,59% nos combustíveis. Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, não vê risco de desabastecimento, mas alerta para o petróleo mais caro por período prolongado.
“O IPCA já mostrou impacto da guerra, especialmente com combustíveis. Esse efeito tende a se intensificar se o conflito perdurar, devido ao impacto indireto da alta do diesel sobre a cadeia de distribuição”, avalia.
Como o repasse funciona na prática
A velocidade do impacto nos postos brasileiros depende mais da duração do conflito que das oscilações diárias do petróleo, segundo especialistas. Se o preço sobe por um dia, nada acontece. Se permanece alto, tudo muda.
No curto prazo, pode haver estabilidade com ajustes contidos. Entre um e três meses, o repasse começa parcialmente e depois de forma mais direta. No longo prazo, o repasse é inevitável — seja via preço na bomba ou via inflação geral.
Desde o início dos bombardeios no final de fevereiro, as incertezas sobre duração e intensidade do conflito já fizeram o preço do barril disparar e se refletir no mercado brasileiro.
Com informações de G1.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/14/bloqueio-ormuz-petroleo-combustiveis.ghtml
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