A história que aprendemos na escola pode estar errada. Um estudo inédito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sugere que Cabral chegou ao Brasil pelo litoral do Rio Grande do Norte, não por Porto Seguro, na Bahia.
A pesquisa dos físicos Carlos Chesman (UFRN) e Cláudio Furtado (UFPB) foi publicada no Journal of Navigation. Os cientistas cruzaram dados da carta de Pero Vaz de Caminha com simulações de ventos, correntes marítimas e profundidade do oceano.
São Miguel do Gostoso na mira
As simulações apontam São Miguel do Gostoso, município a 100 km de Natal, como o local mais provável da chegada. A rota natural dos ventos no século XV levaria as embarcações a fazer uma trajetória em “S”, chegando ao litoral potiguar.
“Se eu sigo essa trajetória que segue os ventos, faz uma espécie de uma perna de um S e chega no litoral do Rio Grande do Norte”, explicou Chesman à CNN Brasil. Já a rota em linha reta para Porto Seguro não seria compatível com a navegação da época.
O pesquisador destaca que não há prova definitiva: “Qual é a maior prova? É o tempo que vai procurar responder isso. Mas a nossa contribuição foi científica em termos das ciências da natureza, física e matemática.”
Monte Serra Verde no lugar do Monte Pascoal
O estudo identifica uma sequência de pontos no litoral potiguar que corresponderiam às descrições da carta de Caminha. O monte citado pelo escrivão não seria o Monte Pascoal (BA), mas o Monte Serra Verde (RN).
O historiador Laécio de Jesus reforça a hipótese. Segundo ele, fatores geográficos como os “baixinhos do São Roque” – elevações rochosas no mar – podem ter dificultado a aproximação direta das caravelas, exigindo embarcações menores.
A teoria já chegou às escolas potiguares. O professor de história Thalysson Diogo conta que apresenta diferentes versões aos alunos: “A versão tradicional é apresentada. E a gente bota o contraponto a isso.”
Até os pescadores locais abraçaram a teoria. Luiz Antônio, conhecido como “Fefeu”, conta: “O descobrimento foi aqui. Meu avô me falou, minha mãe também. Aqui tinha só uma barraquinha de palha.”
Com informações de CNN Brasil.
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/nordeste/rn/portugueses-podem-nao-ter-chegado-ao-brasil-pela-bahia-conheca-outra-rota/Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



