O senador Marcos do Val (Podemos-ES) foi citado no relatório final da Polícia Federal (PF) sobre uma trama que teria como objetivo impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No centro da controvérsia, o parlamentar afirmou ter usado uma técnica de manipulação inspirada no filme Golpe Duplo (Focus, 2015), protagonizado por Will Smith, em situações envolvendo tentativas de incriminar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A referência ao filme ‘Golpe Duplo’
De acordo com o relatório da PF, obtido pelo site IstoÉ, Do Val mencionou que utilizou a técnica chamada “Reação de Goche”, aprendida com o filme de Will Smith. No longa-metragem, o personagem Nicky, interpretado por Smith, manipula uma pessoa para que ela escolha o número 55, repetindo estímulos visuais e auditivos ao longo do dia. A escolha, embora pareça espontânea, é totalmente induzida.
O senador afirmou em conversas com a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) que usou a técnica após ser chamado pelo ex-deputado Daniel Silveira para uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, a proposta seria gravar o ministro Alexandre de Moraes em uma situação comprometedora.

Como a técnica foi usada, segundo Do Val
Ao justificar a referência ao filme, Marcos do Val declarou que usou a estratégia para desviar o foco das discussões e atrair a atenção da mídia para a CPMI do 8 de janeiro. Ele afirmou que sua intenção era apresentar provas contra o presidente Lula e o ex-ministro da Justiça, Flávio Dino, durante a comissão.
A PF destacou que a “Reação de Goche” é frequentemente associada a métodos de manipulação subliminar, nos quais estímulos visuais e auditivos são repetidos de forma a criar associações subconscientes no alvo. Segundo os investigadores, o senador chegou a recomendar o filme Golpe Duplo para Zambelli como referência sobre a técnica.

Obstrução e trama golpista
O relatório final da PF também aponta o senador como responsável por dificultar e embaraçar as investigações. Apesar de sua tentativa de justificar os atos como uma estratégia política, a menção a uma técnica inspirada em um filme adiciona um elemento surreal e levanta dúvidas sobre a real intenção de Do Val ao longo do processo.
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