Uma delação bomba da Operação Duas Rosas colocou o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) no centro de um novo escândalo. A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, afirmou que o político seria um dos beneficiários de um esquema de propina para facilitar a fuga de presos.
Segundo o depoimento da delatora, divulgado pelo site Bahia Notícias e confirmado pela Folha, a facção PCE (Primeiro Comando de Eunápolis) pagaria R$ 2 milhões pela fuga de 16 traficantes ligados ao Comando Vermelho. O dinheiro seria dividido meio a meio: R$ 1 milhão para o ex-deputado Uldurico Júnior (PSDB) e outros R$ 1 milhão para Geddel Vieira Lima.
A versão da delatora
Joneuma contou que Uldurico a indicou para o cargo no presídio e depois a procurou com a proposta. Durante as conversas, o ex-deputado se referia a Geddel como “o chefe” e garantia que o ex-ministro daria proteção ao esquema.
A fuga aconteceu em janeiro de 2025, quando 16 criminosos escaparam do Conjunto Penal. Entre eles estava Ednaldo Pereira de Souza, o Dada, líder do PCE. As investigações revelaram que Uldurico e Dada se reuniram várias vezes na sala da diretora do presídio.
Geddel nega tudo
Em conversa com a Folha, Geddel Vieira Lima rejeitou as acusações com veemência. “Não conheço Joneuma Silva Neres e não tenho nenhuma relação com essa trama”, disse o ex-ministro.
Para Geddel, seu nome foi usado indevidamente por Uldurico para “vender força” e intimidar possíveis denúncias. “Quem ocupa funções públicas termina tendo o seu nome vendido desavergonhada e descaradamente”, afirmou.
A defesa de Uldurico também negou as acusações e classificou a operação como “clara perseguição política” em ano eleitoral.
O passado que não passa
Geddel carrega o peso de escândalos anteriores. Em 2017, a Polícia Federal descobriu R$ 51 milhões em dinheiro vivo em um apartamento em Salvador ligado ao então ministro. Ele foi preso, condenado e cumpriu pena.
Mesmo sem mandato, o ex-ministro voltou a circular nos bastidores da política baiana como figura influente no MDB. Uldurico, por sua vez, deixou o MDB na atual janela partidária após disputas malsucedidas em 2022 e 2024.
O traficante Dada permanece foragido. Na segunda-feira (20), durante a segunda fase da operação, a polícia o localizou escondido no Vidigal, no Rio de Janeiro, mas ele conseguiu fugir por uma passagem secreta.
Com informações de UOL e Folha de S.Paulo.
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/04/delatora-implica-geddel-em-propina-para-facilitar-fuga-de-presos-na-bahia-ex-ministro-nega.shtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



