A denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra três italianos e seis brasileiros por envolvimento com a máfia italiana, especificamente a Cosa Nostra, revela um esquema complexo de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 300 milhões no Brasil. A Operação Arancia, que desvendou a ramificação da organização criminosa no Brasil, contou com a colaboração de autoridades italianas e brasileiras, incluindo a Polícia Federal e o Ministério Público de Palermo.
De acordo com o MPF, as células da organização criminosa internacional atuavam no Brasil desde 2009, utilizando empresas de fachada e “laranjas” para ocultar a origem ilícita de lucros provenientes de crimes como tráfico de drogas, extorsão e homicídios. A operação identificou diversos investimentos realizados pela máfia no Brasil, entre eles um restaurante de luxo em Natal (RN), imóveis em Cabedelo (PB) e Bananeiras (PB), além de um grande loteamento em Extremoz (RN). Esses investimentos, segundo a denúncia, foram parcialmente financiados com dinheiro proveniente do crime organizado.
A denúncia, recebida pela 14ª Vara da Justiça Federal no Rio Grande do Norte, também inclui o pedido de manutenção da prisão preventiva dos três líderes mafiosos italianos. Dois deles, Giuseppe Calvaruso e Pietro Lagodana, já estão presos por outros crimes, enquanto o terceiro, Giuseppe Bruno, foi preso em agosto de 2024, durante a Operação Arancia. Nesta terça-feira (17), a segunda turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) negou o pedido de Habeas Corpus de Giuseppe Bruno, que permanecerá preso até o julgamento.
Além dos italianos, seis brasileiros, incluindo companheiras dos mafiosos, foram denunciados por participação no esquema. O MPF destacou a complexidade do caso e a importância da cooperação internacional, liderada pela Equipe Conjunta de Investigação (ECI), que envolveu o MPF, a Polícia Federal, a Procuradoria de Palermo e a polícia italiana, com o apoio da Eurojust, agência da União Europeia para a Cooperação Judiciária Penal. As ações também ocorreram na Itália e na Suíça, onde foram realizadas 21 buscas simultâneas, coordenadas pela Direção Distrital Antimáfia de Palermo.
As investigações continuam, e as autoridades esperam desmantelar por completo a estrutura da Cosa Nostra no Brasil, que há anos tem explorado o país para lavar dinheiro e expandir suas operações criminosas.
O Dina Explica: A Operação Arancia demonstra a força e a sofisticação das organizações mafiosas, que buscam se expandir para outros países. O Brasil, com seu crescente mercado imobiliário e empresarial, tornou-se um ponto estratégico para a máfia italiana. A cooperação internacional foi fundamental para identificar e desmantelar parte desse esquema, e o caso reforça a importância de vigilância contínua e combate ao crime organizado transnacional.
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