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Um major em lágrimas foi o que se viu na primeira audiência de instrução do processo em que Andrey Jackson da Silva Almeida é acusado de ordenar agressões físicas durante o curso de formação da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. Não foi um soluço discreto. Foi um desmoronamento visível, diante do juiz, da promotoria e dos oficiais que compõem o Conselho Especial de Justiça Militar.
Homem de voz firme e comandos imperativos quando, em 2021, mandou que seus alunos trocassem tapas para “se manterem acordados”, Andrey buscou agora abrigo nas lágrimas. Disse ter um currículo de 27 anos de serviços prestados, falou da sua trajetória na corporação, tentou sustentar que os métodos aplicados eram parte do rigor necessário da formação militar.
O major em lágrimas foi interrompido. O promotor lembrou que o que estava em julgamento ali não era o currículo de ninguém, mas sim a legalidade – ou a brutalidade – de seus atos. “O que está em julgamento é o senhor ter ordenado que cadetes se agredissem, sob coação, diante de toda uma turma”, rebateu o representante do Ministério Público.
A cena contrastava com a figura dura que, como narrado em detalhes na reportagem anterior do Blog do Dina, usou um cipó de bambu para punir uma aluna que riu durante a instrução e obrigou subordinados a humilharem colegas. Um homem que, segundo depoimentos, ria enquanto dizia: “Isso foi um carinho. Quero ver você bater direito agora.”

Major Em Lágrimas Caminha Para Sentença. Qual Será?
Agora, na sala de audiências, esse mesmo major em lágrimas tentava convencer os julgadores de que sua intenção nunca foi agredir. Que a disciplina exigia firmeza. Que tudo não passara de um mal-entendido.
Mas não são apenas palavras que pesam nesse processo. São os depoimentos de onze alunos soldados, as evidências materiais e o entendimento jurídico de que houve ali, sim, uma ofensa aviltante a inferior – crime previsto no artigo 176 do Código Penal Militar.
O choro do major pode ser lido como o colapso de uma defesa que se ampara no passado para justificar o inaceitável. Ou como um ato de desespero diante de uma estrutura que, por vezes, protege o comando até que ele precise responder por seus atos.
Enquanto o processo avança, marcado por tensões entre hierarquia e justiça, permanece uma certeza: na formação policial, há linhas que não podem ser cruzadas – mesmo por quem, por décadas, aprendeu que poderia tudo.
Relembre o Caso
Em outubro de 2021, durante uma instrução no Centro de Formação de Praças da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, o major Andrey Jackson da Silva Almeida foi acusado de submeter alunos soldados a agressões físicas e humilhações.
Segundo a denúncia do Ministério Público, o oficial ordenou que os alunos se agredissem entre si com tapas no rosto como forma de “se manterem acordados” durante a aula. Em um dos episódios, uma aluna que riu foi punida com golpes de cipó de bambu nas mãos. Outro aluno que se recusou a bater em um colega foi agredido diretamente pelo major.
Os atos foram enquadrados como ofensa aviltante a inferior, crime previsto no artigo 176 do Código Penal Militar. A denúncia foi aceita pela Justiça, e o major tornou-se réu na Auditoria Militar do RN.
O caso provocou reações na corporação e expôs práticas de violência em ambientes de formação policial. O Blog do Dina revelou, com exclusividade, os detalhes da denúncia, os bastidores do processo e o impacto sobre a imagem da Polícia Militar do estado.
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