O Ministério Público de Goiás (MPGO) entrou com uma Ação Civil Pública contra a Wepink – Savi Cosméticos Ltda, empresa da influenciadora Virgínia Fonseca, e os sócios Thiago Stabile e Chaopeng Tan. O processo, protocolado em Goiânia pela 70ª Promotoria de Justiça do Consumidor, acusa a marca de práticas abusivas, descumprimento do Código de Defesa do Consumidor e má-fé nas vendas realizadas por meio de transmissões ao vivo.
90 mil reclamações e promessas não cumpridas
De acordo com o MP, a Wepink acumula mais de 90 mil reclamações no Reclame Aqui apenas em 2024 e outras 340 denúncias no Procon Goiás entre 2024 e 2025. As principais queixas envolvem atrasos nas entregas, não recebimento dos produtos, reembolsos negados e um atendimento automatizado que não resolve os problemas.
Em uma das lives citadas na ação, o sócio Thiago Stabile teria admitido que a empresa vendeu produtos sem ter estoque suficiente. O MP considerou a prática como publicidade enganosa e violação do contrato de venda, já que a empresa manteve as promoções mesmo sem condições de entregar os pedidos no prazo prometido de 14 dias úteis.
Entregas atrasadas e reembolsos negados
A investigação identificou atrasos que chegaram a sete meses, além de casos de consumidores que receberam produtos errados ou estragados. O atendimento automatizado também foi apontado como falho — segundo o MP, 30% das respostas eram automáticas e não solucionavam as queixas.
O Procon Goiás já havia multado a empresa em agosto deste ano, após constatar irregularidades. Uma das consumidoras esperou sete meses por uma entrega que nunca foi feita e teve o pedido de reembolso negado.
O que o MP pede na Justiça
Na ação, o Ministério Público solicita que a Justiça determine uma série de medidas imediatas, como:
- suspensão das lives promocionais até que as entregas sejam regularizadas;
- criação de um canal de atendimento humano com resposta em até 24 horas;
- reembolso em até 7 dias úteis;
- entrega imediata dos produtos já pagos;
- multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento.
O órgão também pede uma indenização de R$ 5 milhões por dano moral coletivo, além de reparação individual a consumidores prejudicados.
Uso da imagem de Virgínia e pressão sobre o consumidor
O MP argumenta que Virgínia Fonseca e os sócios devem responder solidariamente pelos danos, já que participaram das lives e tinham conhecimento das falhas. Segundo o promotor Élvio Vicente da Silva, o uso da imagem da influenciadora ampliou o impacto das vendas e explorou a confiança do público.
A ação ainda destaca que a estratégia de “vendas relâmpago” (flash sales) cria uma sensação de urgência e induz o público — especialmente jovens — a compras impulsivas.
O processo aponta violação de oito artigos do Código de Defesa do Consumidor, incluindo os que tratam de responsabilidade do fornecedor, publicidade enganosa e práticas abusivas.

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