O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no uso de recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022) no município de Santo Antônio/RN. A investigação foi formalizada após uma denúncia anônima que levantou suspeitas sobre a aplicação dos valores destinados ao fomento cultural no município.
A Lei Paulo Gustavo foi criada para apoiar o setor cultural, um dos mais afetados pela pandemia de Covid-19, por meio de repasses financeiros a estados e municípios. Em Santo Antônio, os recursos deveriam beneficiar iniciativas locais alinhadas com os objetivos da legislação, promovendo a arte e a cultura na cidade.
SUSPEITAS E PROVIDÊNCIAS INICIAIS
De acordo com o inquérito instaurado pelo promotor Francisco Alexandre Amorim Marciano, foi solicitado à Secretaria de Cultura de Santo Antônio que, no prazo de 20 dias, envie as prestações de contas realizadas pelos contemplados no edital de chamada pública nº 004/2023. A documentação será analisada para verificar se os recursos foram aplicados conforme as diretrizes legais e se houve transparência no processo.
Além disso, o caso foi encaminhado ao Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (CAOP) para suporte técnico, e a Portaria de instauração foi publicada no Diário Oficial do Estado para dar transparência à investigação.
A IMPORTÂNCIA DA LEI PAULO GUSTAVO
A Lei Paulo Gustavo prevê a destinação de mais de R$ 3 bilhões para projetos culturais em todo o Brasil. Os municípios têm autonomia para executar os recursos, desde que cumpram critérios de transparência e eficiência.
No entanto, a aplicação desses recursos tem sido alvo de questionamentos em diversas localidades, devido a denúncias de má gestão e falta de fiscalização. Em Santo Antônio, o Ministério Público busca garantir que os valores tenham sido utilizados para beneficiar a cultura local e que os projetos aprovados tenham seguido os critérios do edital.

O QUE ESTÁ EM JOGO
A investigação poderá trazer desdobramentos significativos, dependendo do que for identificado nos documentos solicitados. Caso sejam constatadas irregularidades, o Ministério Público pode:
- Solicitar esclarecimentos adicionais dos responsáveis;
- Ingressar com ação civil pública para buscar ressarcimento ao erário ou responsabilizar agentes públicos e gestores;
- Encaminhar as irregularidades ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para auditoria complementar.
Por outro lado, se as prestações de contas demonstrarem o cumprimento integral das normas, o inquérito poderá ser arquivado, atestando a regularidade da aplicação dos recursos.
Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



