A Receita Federal mapeou o caminho de R$ 12,2 bilhões que circularam entre o Banco Master e Daniel Vorcaro em um complexo esquema de fundos de investimento. Os dados, enviados à CPMI que investigou os desvios nas aposentadorias do INSS, revelam como funcionava a engenharia financeira por trás do rombo bilionário.
Entre 2017 e 2025, o dinheiro passou por 184 contas distribuídas em 67 fundos diferentes. Do total movimentado, o Master sacou R$ 6,8 bilhões, enquanto Vorcaro retirou R$ 581 milhões — uma diferença que pode indicar como os recursos eram redistribuídos na operação.
O papel da Reag no esquema
Quase metade do dinheiro — 44% do total — foi direcionada para fundos ligados à Reag Investimentos, empresa que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro. A gestora é suspeita de criar fundos fantasiosos que inflavam resultados e ocultavam riscos reais dos investimentos.
O fundo Scarlet, administrado pela Reag, foi o maior destinatário dos recursos: recebeu R$ 2,5 bilhões do Master. Esse tipo de fundo deveria investir em direitos a receber, como duplicatas e empréstimos, mas os investigadores suspeitam que os recursos tinham outros destinos.
Fundos exclusivos e lavagem de dinheiro
O esquema incluía fundos com características suspeitas. O Montenegro, administrado pela Trustee, recebia apenas dinheiro do Master — era um fundo de cotista único, facilitando o controle total sobre os recursos. Recebeu R$ 2,4 bilhões ao longo do período investigado.
Já Vorcaro concentrou seus investimentos no Hans II, fundo comandado por João Mansur, também investigado por ligações com o PCC. O banqueiro enviou R$ 1,2 bilhão para esse fundo, que por sua vez investia em outros fundos em uma cadeia que dificultava o rastreamento dos recursos.
Do Atlético-MG aos créditos de carbono
O dinheiro de Vorcaro não se limitou ao mercado financeiro tradicional. Ele investiu R$ 240 milhões no Galo Forte, fundo ligado ao Atlético-MG, que hoje vale R$ 293 milhões. Mas o destino final de boa parte dos recursos era ainda mais sofisticado: empresas de crédito de carbono da família Vorcaro.
A Golden Green Participações, empresa do grupo familiar, chegou a ser avaliada em R$ 14,3 bilhões pelos fundos. Depois que reportagens expuseram as fraudes, o valor foi zerado da noite para o dia — evidência de que os números eram fictícios.
O impacto nas aposentadorias
Embora os dados da Receita não detalhem a origem dos R$ 12,2 bilhões, a CPMI investigou especificamente como recursos que deveriam garantir aposentadorias foram desviados. O esquema pode ter funcionado como uma lavadora sofisticada: dinheiro entrava sujo pelos empréstimos irregulares do INSS e saía limpo pelos fundos de investimento.
Para aposentados do Nordeste, região onde o INSS tem maior peso na economia local, cada real desviado representa impacto direto no poder de compra e na qualidade de vida. O esquema exposto pelos dados da Receita mostra a sofisticação de uma operação que transformou direitos sociais em lucro privado.
Com informações de G1.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/14/master-e-vorcaro-aplicaram-r-122-bilhoes-em-fundos-de-investimento-entre-2017-e-2025-aponta-receita.ghtml
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