Uma pesquisa do Datafolha expôs uma contradição curiosa na cabeça dos brasileiros. Três em cada quatro pessoas acreditam que os ministros do Supremo Tribunal Federal concentram autoridade excessiva. Ao mesmo tempo, sete em cada dez defendem que a Corte é fundamental para preservar a democracia brasileira.
A matemática da desconfiança
Os números são reveladores. Enquanto 75% da população considera que os ministros detêm “poder demais”, apenas 20% discordam dessa percepção. O restante se divide entre indecisos e indiferentes.
Mas aí vem o paradoxo: 71% dos mesmos entrevistados concordam que o STF desempenha papel essencial na proteção democrática. Apenas 24% discordam dessa função institucional.
É como se os brasileiros dissessem: “Vocês mandam demais, mas não podem parar de mandar”.
A erosão da confiança
Outro dado chama atenção. Para três quartos dos entrevistados, a credibilidade do Supremo diminuiu comparado ao passado. Apenas um quinto da população discorda dessa avaliação.
Essa percepção reflete anos de embates políticos intensos, onde o STF foi protagonista em decisões polêmicas envolvendo prisões, anulação de processos e definição de limites entre os Poderes.
O que isso significa
A contradição dos dados sugere que os brasileiros reconhecem a importância institucional do Supremo, mas questionam como esse poder tem sido exercido. É uma crítica ao método, não necessariamente à função.
Talvez seja reflexo da polarização política que transformou decisões judiciais em batalhas ideológicas. Ou talvez indique amadurecimento democrático: reconhecer a necessidade de freios e contrapesos, mesmo discordando de quem os opera.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 7 e 9 de abril, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Os dados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral e financiados com recursos próprios do instituto.
Com informações da CNN Brasil.
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/datafolha-ministros-do-stf-tem-poder-demais-para-75-da-populacao/
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