O PCC Faria Lima não é mais só uma expressão irônica. A facção criminosa realmente fincou raízes no principal centro financeiro do país para transformar bilhões do narcotráfico em ativos legais. O diagnóstico vem de Ivana David, desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, que identifica um fenômeno inédito: “duas facções em uma”.
De um lado, o Primeiro Comando da Capital tradicional, nascido há três décadas no sistema prisional. Do outro, um braço sofisticado que opera fintechs, bancos e instituições financeiras justamente na região da Faria Lima. São estruturas diferentes da mesma organização criminosa.
Celebridades como fachada
A estratégia do PCC Faria Lima inclui o uso de influenciadores digitais para dar legitimidade ao dinheiro sujo. Os casos recentes do funkeiro MC Ryan SP e da advogada Deolane Bezerra exemplificam essa tática. Ambos foram presos por suspeita de participação em esquemas de lavagem dinheiro da facção.
“O crime organizado procura fintechs, procura influencers, que de alguma forma dificultam o rastreio dos valores”, explica a desembargadora ao Metrópoles. A escolha por famosos não é casual: serve para mascarar a origem criminosa dos recursos movimentados.
Operações bilionárias no coração financeiro
No último ano, a Faria Lima virou palco de megaoperações policiais contra a facção criminosa. A Carbono Oculto teve 65 alvos na avenida e arredores. A Fluxo Oculto descobriu seis novas fintechs funcionando como bancos paralelos do PCC no setor de combustíveis.
Em janeiro, parte da Operação Compliance Zero – que investiga fraudes bilionárias do Banco Master – também se concentrou em endereços da região. No mesmo mês, a Polícia Civil fechou uma “central de fraudes” instalada na avenida, escolhida justamente para dar aparência de legitimidade às cobranças fraudulentas.
O caso mais emblemático envolveu a Reag Investimentos, gestora de fundos da Faria Lima apontada pela Polícia Federal como “principal responsável” por ocultar bilhões de reais do PCC.
Terrorismo complica o combate
A sofisticação do esquema ganhou um complicador: os Estados Unidos anunciaram que vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo autoridades paulistas, a medida pode dificultar o combate ao crime organizado.
A Operação Vérnix, que prendeu Deolane e mirou Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, mostrou como as lideranças da facção criminosa adaptaram seus métodos. Não se trata mais apenas de controlar presídios e vender drogas, mas de operar um sistema financeiro paralelo no coração do capitalismo brasileiro.
Com informações de Metrópoles.
https://www.metropoles.com/sao-paulo/pcc-faria-lima-2-faccoesEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



