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O crime organizado no Brasil já não se esconde mais em becos ou presídios. Ele está em empresas abertas, igrejas, fintechs, casas de apostas, clubes de futebol e até na coleta de lixo. A revelação foi feita pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em reportagem publicada pelo Estadão.
Durante um seminário realizado na USP, Gakiya mostrou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se transformou numa espécie de conglomerado empresarial. Deixou de atuar só no tráfico e passou a investir o dinheiro sujo em 13 setores diferentes da economia formal. E o pior: faz isso com empresas reais, registradas, que prestam serviços — e, às vezes, até são bem avaliadas.
A lista é de assustar
Segundo o promotor, o PCC está presente nos seguintes setores:
- Igrejas e entidades religiosas
- Fintechs e bancos digitais
- Empresas de apostas e jogos de azar
- Imobiliárias e construção civil
- Empresas de ônibus
- Clubes de futebol
- Casas de câmbio e empresas de transporte de valores
- Coleta de lixo e serviços urbanos
- ONGs de saúde pública
- Postos de gasolina e concessionárias
- Fundos de investimento
- Criptomoedas
- Organizações sociais
Esses setores são usados para misturar o dinheiro do tráfico com lucros reais. Em vez de esconder o dinheiro, o grupo o incorpora em empresas que funcionam. Isso dificulta o rastreio e dá aparência de legalidade aos recursos.
Enquanto isso, a lei que precisa ser feita está parada
O projeto de uma lei antimáfia que criaria uma agência nacional para combater o crime organizado está prometido desde 2024 — mas até agora não saiu do papel. A proposta também incluiria mudanças para facilitar o bloqueio de bens suspeitos e endurecer o controle sobre a atuação das facções.
Enquanto a lei atrasa, o PCC segue crescendo. E o que antes era visto como uma facção de presídio, hoje atua com estrutura de negócio, presença internacional e faturamento milionário.

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