Uma soldado estagiária da Polícia Militar de São Paulo, de apenas 21 anos, matou uma mulher desarmada após uma discussão que começou porque o marido da vítima esbarrou no retrovisor da viatura policial.
Yasmin Cursino Ferreira havia sido aprovada no concurso da PM em novembro de 2024 e estava patrulhando as ruas armada há cerca de três meses. Na madrugada da última sexta-feira (3), ela atirou contra Thawanna da Silva Salmázio, de 32 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, zona leste da capital.
Como começou a tragédia
Thawanna caminhava de mãos dadas com o marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, quando ele esbarrou no retrovisor da viatura. O policial Weden Silva Soares deu ré no veículo e iniciou uma discussão com xingamentos.
A estagiária Yasmin, que estava no banco do passageiro, desceu da viatura e também começou a discutir com Thawanna. A situação escalou até que a jovem PM disparou sua arma contra a mulher, que não estava armada.
Yasmin alegou que reagiu após ser atingida com um tapa no rosto. Thawanna foi socorrida ao Hospital Tiradentes após 30 minutos, mas não resistiu aos ferimentos.
O despreparo institucional
O caso expõe como a Polícia Militar coloca nas ruas agentes ainda em formação, armados e sem supervisão adequada. Yasmin estava na etapa final de seu estágio supervisionado — que, na prática, significa patrulhar sozinha com outro policial.
O curso de soldado da PM tem dois anos de duração: seis meses de formação básica, seis meses de formação específica e um ano de estágio supervisionado. Ou seja, após apenas um ano de preparação teórica, os estagiários já estão nas ruas com arma de fogo.
Outro detalhe grave: Yasmin não usava câmera corporal no momento da ocorrência. A Secretaria de Segurança Pública não explicou o motivo da ausência do equipamento obrigatório.
Violação de protocolos
Especialistas apontam que a ação violou todos os protocolos da corporação desde o início. A Polícia Militar só pode abordar alguém quando há fundada suspeita de crime, baseada em elementos objetivos.
No caso, não havia crime algum — apenas um esbarrão acidental no retrovisor. Mesmo assim, os policiais iniciaram uma discussão com xingamentos, escalaram para agressão e terminaram com um homicídio.
Tenente-coronel da reserva Adilson Paes de Souza, pesquisador em segurança pública, classificou o episódio como “absurdo” que deveria ser investigado como homicídio qualificado por motivo fútil.
“É abuso desde o começo. Quem começou agredindo foram os policiais militares”, afirmou o especialista, destacando que os abusos continuaram mesmo após o disparo: os agentes impediram que o marido se aproximasse de Thawanna enquanto ela agonizava no chão.
Normalização da violência
O caso de São Paulo ilustra um problema nacional: a banalização da violência policial e o despreparo institucional que coloca armas nas mãos de jovens com treinamento insuficiente.
Quando estagiários de 21 anos podem matar cidadãos desarmados por motivos fúteis, fica evidente que o problema não é individual, mas sistêmico. A corporação falhou na formação, na supervisão e no controle de seus agentes.
Os dois policiais foram afastados das ruas, e o Ministério Público instaurou procedimento para investigar a morte de Thawanna. Mas uma vida já foi perdida por causa de um retrovisor esbarrado e do despreparo institucional crônico da segurança pública brasileira.
Com informações de G1.
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