Um caso clássico de porta giratória na regulação financeira brasileira vem à tona através de dados da Receita Federal. João André Calvino Marcos Pereira, que comandou o departamento de regulação do Banco Central, embolsou R$ 3 milhões do Banco Master depois de sair do cargo público.
O dinheiro foi pago à empresa de consultoria JGM Solution, da qual Calvino é sócio junto com sua esposa, Manuela Bezerra Marques Pereira. A informação consta na declaração de Imposto de Renda de 2025 do Master, enviada pela Receita à CPI do Crime Organizado.
O cronograma da porta giratória
Calvino trabalhou no BC entre 2018 e 2023, período em que o departamento sob seu comando tinha responsabilidade direta sobre a supervisão de bancos como o Master. Após tirar licença, deixou definitivamente a instituição em junho de 2025.
Poucos meses depois, sua empresa já recebia valores milionários da mesma instituição que ele ajudava a regular quando estava no governo.
O problema da proximidade perigosa
O caso ilustra um problema estrutural da regulação no Brasil: ex-servidores que migram para o setor privado mantendo relações comerciais com as mesmas empresas que fiscalizavam.
Essa prática, conhecida como “porta giratória”, compromete a credibilidade do sistema regulatório. Como confiar que um regulador será rigoroso se sabe que pode trabalhar amanhã para quem está regulando hoje?
A situação ganha contornos ainda mais delicados quando envolve valores na casa dos milhões, como neste caso. R$ 3 milhões representam uma soma considerável mesmo para padrões do mercado de consultoria financeira.
Transparência forçada
Os dados só vieram a público porque a Receita Federal foi obrigada a enviar informações à CPI do Crime Organizado. Sem essa demanda parlamentar, o negócio entre o ex-regulador e o banco supervisionado permaneceria nos bastidores.
O episódio reforça a necessidade de regras mais rígidas para ex-servidores de órgãos reguladores, incluindo períodos de quarentena mais longos antes de trabalhar para empresas do setor que regulavam.
Com informações de Metrópoles.
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