A Receita Federal deflagrou uma das maiores operações anticorrupção de sua história ao descobrir um esquema bilionário que transformou o Porto do Rio de Janeiro em porta de entrada facilitada para contrabando, drogas e armas. Vinte e cinco servidores públicos foram afastados de suas funções após investigação revelar o recebimento sistemático de propinas para liberar mercadorias ilegais.
A operação, realizada nesta terça-feira (28) em parceria com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, cumpriu 45 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. O esquema movimentou cerca de R$ 86,6 bilhões em mercadorias irregulares entre julho de 2021 e março de 2026.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação da Receita Federal, a organização criminosa atuava em três frentes principais. A primeira consistia no desembaraço direto de mercadorias que deveriam passar por fiscalização rigorosa, ignorando inconsistências e exigências legais básicas.
A segunda frente envolvia o setor de petróleo e gás, onde servidores criavam procedimentos artificiais para liberar embarcações e equipamentos sem amparo na legislação aduaneira. A terceira modalidade era o recebimento direto de vantagens indevidas pagas por operadores portuários.
“No momento em que o agente deixa de cumprir sua função de abrir e verificar o que está dentro do contêiner, qualquer coisa pode entrar”, explicou Robson Barreirinhas, secretário da Receita Federal do Brasil. O órgão confirmou que as propinas chegavam a dezenas de milhões de reais.
Conexão com outros portos
A operação levanta questionamentos sobre possíveis esquemas similares em outros portos brasileiros, incluindo os terminais do Rio Grande do Norte em Natal e no Porto do Açu. Autoridades investigam se o modelo de corrupção descoberto no Rio pode ter afetado também importações destinadas ao Nordeste.
A Corregedoria do Fisco iniciou uma revisão de aproximadamente 17 mil Declarações de Importação para identificar outras irregularidades. Foram mapeadas reversões indevidas de penalidades, ausência de cobrança de tributos após vencimento de prazos e redistribuição artificial de processos para garantir decisões favoráveis.
Para manter a operação do porto, a Receita Federal enviou 50 servidores adicionais ao Rio de Janeiro. “Representa uma parcela pequena da nossa equipe, mas que escolheu um caminho errado e hoje está sendo punida”, afirmou Renato Regal, delegado do Porto do Rio de Janeiro.
Com informações da CNN Brasil.
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/rj/operacao-no-porto-do-rio-receita-vai-investigar-entrada-de-drogas-e-armas/Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



