O Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um inquérito civil para investigar o servidor Francisco Xavier de Menezes, vinculado à Prefeitura de Pedro Avelino e ao Governo do Estado, por suspeita de acúmulo irregular de cargos. A investigação foi formalizada por meio do Inquérito Civil nº 04.23.2015.0000205/2024-04, que tem como objetivo esclarecer se o servidor estaria ocupando mais de um cargo público de forma ilegal.

A prática de acumulação de cargos públicos é rigorosamente controlada pela Constituição Federal, que proíbe, em regra, que uma pessoa ocupe mais de um cargo remunerado em órgãos públicos, exceto em casos específicos. O artigo 37, inciso XVI, da Constituição permite apenas o acúmulo de:
- Dois cargos de professor;
- Um cargo de professor com outro técnico ou científico;
- Dois cargos ou empregos de profissionais da saúde com profissões regulamentadas.
Suspeitas de irregularidades
Francisco Xavier de Menezes estaria vinculado ao cargo de assistente administrativo no município de Pedro Avelino, ao mesmo tempo em que recebe proventos de aposentadoria como professor inativo pelo Estado do Rio Grande do Norte. A investigação visa verificar se esse duplo vínculo cumpre as exceções previstas na lei ou se configura acúmulo ilegal de cargos, uma prática que pode acarretar severas punições.
Para apurar os fatos, o Ministério Público expediu ofícios à Prefeitura de Pedro Avelino e à Secretaria Municipal de Educação, solicitando informações detalhadas sobre o cargo que o servidor exerce atualmente. O MP também reiterou um ofício anterior (nº 5881008) pedindo à Prefeitura que forneça informações sobre o cargo ocupado por Francisco Xavier no município e se houve qualquer ação para corrigir a possível irregularidade.
Consequências possíveis
Se confirmado o acúmulo ilegal de cargos, Francisco Xavier poderá ser obrigado a optar por um dos vínculos e a devolver os valores recebidos indevidamente durante o período da irregularidade. Além disso, o servidor poderá ser processado por improbidade administrativa, conforme prevê a Lei nº 8.429/92, que regula os casos de enriquecimento ilícito e lesão aos cofres públicos.
O Ministério Público tem a função de zelar pelo cumprimento das normas constitucionais e legais, e, nesse caso, busca garantir a moralidade e a eficiência na administração pública. A investigação está em fase inicial e novas diligências poderão ser realizadas para apurar a extensão da irregularidade.
O Ministério Público aguarda a resposta dos ofícios enviados para que possa concluir a investigação. O acúmulo ilegal de cargos é uma prática que prejudica a correta destinação dos recursos públicos e pode comprometer a qualidade dos serviços prestados à população. A atuação do Ministério Público é fundamental para evitar abusos e garantir que os servidores cumpram a legislação vigente.
Com a documentação solicitada em mãos, o MP decidirá se arquiva o caso, toma medidas corretivas ou propõe uma Ação Civil Pública contra o servidor. A investigação também pode resultar em novas fiscalizações em outras repartições públicas para garantir o cumprimento das normas sobre acumulação de cargos.
Essa é mais uma ação do Ministério Público para garantir a moralidade administrativa e proteger os recursos públicos do estado.
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