Última edição: 17:56
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A denúncia de assédio sexual e moral contra o dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Natal (Sinsenat) provocou silêncio na maior parte da bancada do Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte. Embora o partido costume se posicionar publicamente tanto em defesa de sindicatos quanto dos direitos das mulheres, até o momento pairava o silêncio. O Blog do Dina procurou as autoridades para questionar seus posicionamentos.
O Blog do Dina procurou os nomes mais diretamente ligados à pauta trabalhista e de gênero no PT potiguar: além de Bonavides e Valença, também foram acionadas as vereadoras Brisa Bracchi, Divaneide Basílio, e Thabatta Pimenta. Nenhuma das três retornou até o fechamento desta publicação.
A denúncia, feita por uma funcionária afastada do sindicato, envolve acusações contra o coordenador geral José da Cunha Neto, que nega as alegações. A vítima relatou que, durante suas férias, foi chamada para uma reunião em que o dirigente teria feito insinuações de cunho sexual e a forçado fisicamente. Após recusar as investidas, afirma ter sido rebaixada de função e isolada no ambiente de trabalho. O caso está em trâmite na Justiça do Trabalho, e o INSS reconheceu que o adoecimento relatado pela funcionária tem relação com suas atividades no sindicato.
O que disseram os parlamentares
Daniel Valença destacou que o caso exige investigação séria.
“A denúncia é grave e é fundamental que haja uma investigação séria e as medidas cabíveis sejam tomadas. Espaços sindicais disputam proteção no trabalho, mas as violências são produzidas em todos os espaços e sindicatos não estão imunes. O Sinsenat é um sindicato importantíssimo para a classe trabalhadora natalense e precisará lidar e superar essa crise.”
Natália Bonavides, por sua vez, manifestou solidariedade à vítima e defendeu que o sindicato tome providências para apurar o caso internamente:
“Toda nossa solidariedade e apoio à vítima, que com muita coragem se expôs para fazer a denúncia. Qualquer tipo de assédio, e principalmente o sexual, é repugnante e espero que a Justiça seja rápida em apurar as acusações contra o diretor do SINSENAT. É inaceitável que alguém use uma posição de autoridade para constranger seus subordinados em qualquer repartição e mais ainda em um sindicato, que deve ser um local de proteção às trabalhadoras. Para além do processo que corre na Justiça, é importante que o sindicato também abra um procedimento interno para apurar o caso.”
Contradições expostas
O silêncio de parte da bancada petista evidencia um dilema comum em episódios que envolvem denúncias dentro de estruturas historicamente alinhadas ao partido. Ao mesmo tempo em que sindicatos são considerados pilares da luta trabalhista e aliados políticos, o enfrentamento às violências de gênero exige posicionamentos firmes — mesmo quando os acusados fazem parte da militância ou da estrutura sindical.

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