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A moeda americana é, há quase um século, o principal instrumento de troca, reserva e referência da economia mundial. Presente em mais de 80% das transações internacionais, o dólar sustenta não apenas o comércio global, mas também parte significativa da influência política e econômica dos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, o debate sobre essa posição ganhou força após declarações do ex-presidente Donald Trump. Ele prometeu aplicar tarifas pesadas a países que adotarem medidas para substituir o dólar em acordos internacionais, com foco nos integrantes do BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, recentemente ampliado com novos membros.
A seguir, explicamos por que o tema voltou ao centro das discussões e o que realmente está em jogo.
Por que o dólar ocupa essa posição?
A consolidação do dólar como moeda global remonta ao Acordo de Bretton Woods, em 1944, que estabeleceu a moeda americana como base das transações internacionais. Mesmo após o fim da paridade com o ouro, o dólar manteve sua dominância por ser considerado estável, seguro e amplamente aceito.
Hoje, ele é:
• A principal moeda de reserva internacional
• A referência em contratos de commodities como petróleo e gás
• A base de operações financeiras globais, de crédito a investimentos
O que o BRICS propõe?
Nos últimos anos, os países do BRICS têm defendido a criação de alternativas ao dólar no comércio entre si. O objetivo é reduzir a dependência de sistemas financeiros controlados pelo Ocidente, como o SWIFT (rede bancária internacional) e o próprio dólar como meio de pagamento.
Entre as propostas discutidas:
• Uso de moedas locais no comércio bilateral
• Criação de um sistema financeiro alternativo
• Estudos iniciais sobre uma moeda comum, ainda sem estrutura definida
A ampliação do BRICS em 2024, com a entrada de países como Irã, Egito e Etiópia, deu novo fôlego à agenda de reforma do sistema financeiro internacional.
O que disse Donald Trump?
Durante a pré-campanha eleitoral de 2024 e em declarações recentes, Trump afirmou que aplicará uma tarifa de 100% sobre produtos vindos de países que promovam ou adotem uma moeda alternativa ao dólar. Além disso, propôs tarifas adicionais de 10% para países que se alinhem a políticas do BRICS consideradas “antiamericanas”.
Segundo Trump, essas medidas visam proteger a economia dos Estados Unidos e evitar a perda de influência global por meio de uma possível desdolarização.
O dólar está realmente ameaçado?
Especialistas concordam que o dólar ainda ocupa uma posição sólida, mas apontam sinais de mudanças graduais. Alguns fatores contribuem para esse movimento:
• Adoção de moedas locais por países como China, Rússia e Índia em acordos bilaterais
• Crescimento da presença do yuan em contratos internacionais
• Compra de ouro por bancos centrais como estratégia de diversificação de reservas
• Críticas à politização do dólar, especialmente após o congelamento de ativos russos em 2022
Apesar disso, a substituição completa do dólar é considerada improvável no curto e médio prazo, pela falta de uma alternativa com liquidez, confiança e capilaridade equivalentes.
Qual o papel do Brasil nesse cenário?
Como membro fundador do BRICS e aliado comercial dos Estados Unidos, o Brasil está em posição delicada. O país tem participado de iniciativas para ampliar o uso de moedas locais e defender uma governança internacional mais equilibrada, mas mantém interesses importantes com os americanos.
Segundo analistas, o Brasil pode optar por uma postura pragmática, buscando manter sua autonomia diplomática sem provocar rupturas. No entanto, uma escalada de tensões entre Washington e o BRICS pode tornar esse equilíbrio mais difícil.
Conclusão
O dólar segue sendo a principal moeda global, mas o debate sobre sua hegemonia está em aberto. A retórica de líderes como Trump, somada às iniciativas do BRICS e de outras economias emergentes, indica que a discussão sobre a arquitetura financeira internacional tende a ganhar peso nos próximos anos.
Embora não haja sinais imediatos de substituição da moeda americana, cresce o movimento por diversificação, autonomia e descentralização, o que pode redefinir, de forma lenta e progressiva, o cenário monetário global.
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