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O homem que descobriu ouro na pornografia digital
Leonid Radvinsky não inventou a pornografia online, mas soube transformá-la em um negócio que rende bilhões. O bilionário ucraniano naturalizado americano é hoje dono do OnlyFans, uma das plataformas de assinatura mais populares do mundo, e também uma das mais polêmicas.
Desde que comprou o site em 2018, ele já embolsou mais de US$ 1,8 bilhão em dividendos. Só no ano passado, ganhou em média US$ 1,9 milhão por dia. Em qualquer moeda, isso significa acordar todo dia mais rico do que quase qualquer outro empresário digital.
De canto obscuro da internet a fenômeno global
Radvinsky começou a carreira em sites de pornografia de nicho, ainda nos anos 2000. Esse “submundo” serviu de base para dar o salto: a compra do OnlyFans. O que era um espaço alternativo virou gigante global.
Hoje, são 4,6 milhões de criadores e 377 milhões de contas de fãs. Em 2024, o dinheiro movimentado na plataforma ultrapassou US$ 7,2 bilhões. O modelo é simples: os criadores ficam com 80%, a empresa leva 20%. E esses 20% são justamente o que sustenta a fortuna de Radvinsky.
A promessa e a realidade
O discurso é sedutor: qualquer pessoa pode ganhar dinheiro vendendo fotos, vídeos e interações diretas com fãs. Mas a prática é bem diferente. Enquanto o dono acumula bilhões e poucos nomes se tornam milionários, a imensa maioria dos criadores luta para ganhar o suficiente para pagar as contas.
O “empoderamento financeiro” vendido pela plataforma funciona para alguns, mas esbarra na lógica clássica da desigualdade: a riqueza se concentra no topo, enquanto a base se expõe mais do que enriquece.
Escândalos que não desaparecem
O sucesso vem acompanhado de crises constantes. Em 2021, o OnlyFans quase baniu o conteúdo adulto depois de denúncias envolvendo abuso e pressões de Visa e Mastercard. Voltou atrás dias depois, temendo perder sua essência e sua fonte de lucro.
Mesmo assim, os problemas continuam. Só nos Estados Unidos, foram registradas mais de 140 denúncias policiais ligadas à publicação de conteúdo íntimo sem consentimento. A plataforma insiste que investe em segurança, mas a sombra da exploração ainda ronda o negócio.
Um império à venda
Enquanto isso, Radvinsky prepara o próximo passo: vender o OnlyFans por até US$ 8 bilhões. Se fechar o negócio, será o maior lucro de sua vida. Mas a pergunta que fica é: qual investidor vai comprar um império construído em cima de pornografia, polêmicas e riscos jurídicos?

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