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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi criticada após interagir nas redes sociais com o rapper Oruam, filho de Marcinho VP, líder do Comando Vermelho. A repercussão acentuou tensões entre militância digital, segurança pública e representatividade periférica. A deputada reconheceu o erro e afirmou que desconhecia o histórico do artista. Oruam, por sua vez, negou vínculos com o crime e acusou as redes de tentarem destruir sua imagem.
A Deputada e o Rapper: o contexto da interação
O episódio teve início após a morte de Herus Guimarães Mendes, jovem de 24 anos morto por um tiro do Bope em uma festa junina na comunidade de Santo Amaro, Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 7 de junho. O caso gerou protestos locais e postagens de artistas, entre eles o rapper Oruam, que escreveu: “A revolução está próxima”.
Um seguidor sugeriu que ele se organizasse politicamente. Oruam respondeu: “O que eu precisonfazer?”. A deputada Erika Hilton, que tem atuação em pautas de direitos humanos e população periférica, respondeu incentivando a conexão com organizações coletivas nas periferias:
“Se quiser construir junto, tô por aqui.”
O comentário viralizou. Oruam compartilhou a interação em seu perfil, o que amplificou o alcance da publicação e acentuou reações, tanto positivas quanto críticas.

Repercussão e críticas à esquerda e à direita
A crítica mais recorrente envolvia o histórico de Oruam. O rapper é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho preso por tráfico e homicídios. Além disso, há registros de que Oruam já foi acusado de homofobia e ostenta uma tatuagem de Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes.
Esses elementos geraram questionamentos sobre a escolha de Erika Hilton em dialogar publicamente com uma figura considerada controversa. Políticos de direita associaram o gesto a uma suposta conivência com o crime. Já militantes de esquerda cobraram mais cuidado da deputada ao endossar figuras sem averiguar suas posições públicas.
Recuo e reposicionamento de Erika Hilton
Diante da repercussão negativa, Erika Hilton publicou uma nota pública dizendo que sua intenção foi incentivar engajamento político de jovens periféricos, e que não conhecia os antecedentes de Oruam.
“Errei no tom. Quando respondi ao comentário do artista, minha intenção era contribuir com o debate. Mas desconhecia as problemáticas em torno da figura dele”, declarou a deputada.
Hilton também afirmou que “reconhece que é preciso rigor na construção de alianças e símbolos públicos”, e que a luta por direitos não pode se confundir com endossos a discursos violentos ou contraditórios aos direitos humanos.

Oruam responde: “tentam destruir nossa imagem”
Em sua defesa, Oruam usou as redes sociais para negar associação com o crime organizado. Ele afirmou que é vítima de “mentiras que se tornam verdade na internet” e que se tornou alvo por tentar se posicionar politicamente.
“Querem acabar com nossa imagem. Eu sou cria da favela, não sou bandido. Mas quando a gente fala sobre revolução, vem esse tipo de ataque”, escreveu o rapper.
Oruam também afirmou que tatuagens e relações familiares não determinam sua atuação pública. Ele não negou a tatuagem de Elias Maluco, mas não comentou diretamente sobre as acusações de homofobia.
A política nas redes: quando o engajamento se torna armadilha
O caso levanta reflexões sobre os limites e riscos da política digital. Parlamentares como Erika Hilton construíram suas trajetórias com forte presença em redes sociais, onde a interação com o público é direta e veloz, mas nem sempre bem calibrada.
O episódio evidencia como a militância de esquerda, ao tentar disputar corações e mentes na periferia, pode tropeçar em dilemas simbólicos. A figura de Oruam, para alguns, representa potência artística e desejo de mobilização. Para outros, personifica contradições que não podem ser ignoradas.
Ao reconhecer o erro, Erika Hilton tentou reposicionar a narrativa, mas o caso permanece como um marco sobre como a política e a cultura se chocam no ambiente digital, onde nada é apenas um comentário.
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