Era para ser comida na mesa de quem passava necessidade no auge da pandemia. Virou caso de polícia.
A Polícia Federal investiga suspeita de desvio de R$ 73 milhões em recursos públicos, destinados à compra de cestas básicas entre 2020 e 2021.
Um dos principais alvos da operação é o governador Wanderlei Barbosa. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou seu afastamento do cargo, a pedido da investigação.
A decisão, assinada pelo ministro Mauro Campbell, também autorizou buscas e apreensões no gabinete do governador. Ao todo, a PF cumpre 51 ordens judiciais contra diversos suspeitos ligados ao esquema. Até agora, Barbosa não se manifestou publicamente.
Segundo a PF, os desvios teriam ocorrido em pleno período de emergência sanitária, quando famílias esperavam por cestas básicas e o governo recebia verbas extras para ações sociais. Os investigadores suspeitam de fraude em contratos, superfaturamento e direcionamento de compras.
Não é só corrupção sob apuração. É a suspeita de que até a fome foi usada como moeda.
Se até as cestas básicas da pandemia estão sob suspeita de fraude, o que sobra para a população confiar? O afastamento não é sentença, mas um alerta: quando até a comida de quem mais precisava entra no radar da PF, a crise deixa de ser apenas sanitária ou política. É também moral.
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