Uma turista francesa usou suas redes sociais para contar um episódio que, segundo ela, marcou sua passagem por Pipa, no litoral do Rio Grande do Norte. No relato, ela afirma que foi levada à força para a praia, durante a noite, por um homem que trabalha na região. Disse ter conseguido se defender, mas deixou no ar uma pergunta que ecoou entre os moradores e visitantes: quantas outras mulheres já teriam passado pela mesma situação?
A postagem não ficou sozinha. Rapidamente, dezenas de comentários surgiram, transformando a denúncia individual em um coro de vozes femininas que relataram histórias semelhantes, todas apontando para o mesmo homem: Denger Baptista, associado à loja e hostel Swell Pipa.
Um padrão de abordagem
Os relatos mostram um padrão de comportamento. As mulheres descrevem que o suspeito se aproxima com naturalidade, oferecendo roupas de surf em promoção ou convidando para conhecer a loja. Uma vez que a vítima entra no espaço, ele passa a adotar condutas invasivas: toques, comentários de cunho sexual, tentativas de beijos forçados.
Uma internauta relatou que, em 2021, no dia do seu aniversário de 24 anos, foi atraída para dentro da loja, agarrada e, no dia seguinte, surpreendida no quarto do hostel, onde o homem entrou e trancou a porta. Outra, espanhola que mora em Pipa há seis anos, contou que, pouco depois de chegar à cidade, foi abordada da mesma forma: entrou na loja sob o pretexto de uma promoção e, enquanto olhava roupas, o homem a atacou pelas costas tentando beijar seu pescoço.
“Eu me senti muito invadida e desconfortável”, escreveu. “Só agora percebo que ele fez isso premeditadamente, porque a loja estava fechada no momento.”
Investigação instaurada
O impacto dos relatos chamou a atenção das autoridades. A Polícia Civil confirmou ao Blog do Dina que instaurou uma investigação na terça-feira (2) para apurar o caso. De acordo com a instituição, a vítima francesa será ouvida nesta quinta-feira (4), à distância, já que retornou ao seu país de origem.
“Estamos apurando as denúncias e adotando todas as medidas necessárias”, informou a Polícia Civil.
O silêncio e as perguntas que ficam
Até agora, nem Denger Baptista nem representantes da Swell Pipa se pronunciaram sobre as acusações. O silêncio contrasta com a onda de relatos que continua a se multiplicar nas redes sociais, reforçando a percepção de que não se trata de um episódio isolado.
Para muitas mulheres, a denúncia da francesa abriu uma ferida coletiva. “Essa ainda é uma lembrança muito dolorosa”, escreveu uma das vítimas. Outras afirmam que só agora encontraram coragem para compartilhar experiências que guardavam em silêncio havia anos.
O que vem pela frente
O inquérito policial está em andamento, e as autoridades ainda não detalharam quais medidas poderão ser tomadas contra o suspeito. O que se sabe é que as histórias se acumulam, formando um mosaico de denúncias que revelam vulnerabilidades ainda presentes em destinos turísticos como Pipa.
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