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O Ministério Público da Paraíba apura se o influenciador digital Hytalo Santos, de 25 anos, teria utilizado adolescentes em seus vídeos nas redes sociais de forma a configurar exploração de imagem com conotação sexual. O caso ganhou visibilidade a partir de denúncias públicas feitas pela também influenciadora Izabelly Vidal, que questionou a presença constante de menores de idade nas gravações e a relação entre o influenciador e essas meninas.
Hytalo, conhecido por vídeos de dança, humor e ostentação, construiu uma audiência de milhões em plataformas como TikTok e Instagram, e é apontado como figura de destaque no cenário digital da Paraíba. Seu conteúdo, no entanto, entrou na mira de autoridades após denúncias sobre a participação de adolescentes em situações consideradas inadequadas.
Presença de adolescentes e estilo provocativo nos vídeos
Os vídeos de Hytalo com as chamadas “crias” — meninas adolescentes que vivem com ele e participam ativamente das postagens — incluem danças com coreografias sexualizadas, figurinos considerados sensuais e encenações que remetem a relações afetivas. Entre as figuras mais presentes está Kamylinha Santos, de 17 anos, que engravidou do irmão de Hytalo e teve um aborto espontâneo. A história foi amplamente divulgada nos perfis do influenciador, em vídeos com forte apelo emocional.
As imagens, somadas à exposição intensa das meninas, levantaram questionamentos sobre consentimento, autonomia e eventual uso da imagem de menores para impulsionar o alcance nas redes. Vídeos chegaram a ser removidos por plataformas por violar diretrizes sobre segurança infantil.
Investigação do MP e atuação da Câmara Municipal
Em dezembro de 2024, o Ministério Público da Paraíba instaurou inquérito para apurar a possível exploração da imagem de crianças e adolescentes. A promotoria analisa vídeos publicados por Hytalo, assim como a idade e situação legal das participantes. Em paralelo, a vereadora Eliza Virgínia levou o caso ao plenário da Câmara Municipal de João Pessoa, denunciando uma suposta relação informal de tutela exercida pelo influenciador, com o consentimento dos pais das jovens.
A vereadora afirmou que haveria troca de favores e benefícios materiais para que as adolescentes fossem morar com o influenciador, que se refere a elas como “filhas” e “genros”, criando um núcleo familiar fictício em torno da marca pessoal de Hytalo. “Ele mantém essas meninas em situação de dependência. Isso é grave e precisa ser investigado”, declarou a parlamentar, em sessão pública.
Denúncias de Izabelly Vidal e nova reviravolta
A influenciadora Izabelly Vidal passou a publicar vídeos cobrando medidas legais contra Hytalo e apresentando relatos de meninas que teriam participado das gravações. Ela acusa o influenciador de aliciar menores de idade com a promessa de fama e engajamento nas redes.
Em meio às denúncias, Izabelly relatou que foi vítima de estupro por um homem que dizia apoiar sua luta. Segundo ela, o agressor se aproximou com a promessa de ajuda jurídica e emocional, mas a violentou dias depois. Ela publicou vídeos pedindo ajuda e, posteriormente, apresentou exame de corpo de delito.
Resposta de Hytalo e judicialização do caso
Hytalo Santos negou todas as acusações. Em vídeos publicados nas redes sociais, afirmou que as adolescentes que vivem com ele contam com autorização dos pais e, em alguns casos, são legalmente emancipadas. Ele também ressaltou que os conteúdos produzidos seguem as normas das plataformas digitais e acusou Izabelly Vidal de difamação, entrando com uma ação judicial contra ela.
Até o momento, não houve apresentação formal de denúncia à Justiça, mas a investigação conduzida pelo Ministério Público segue em andamento. A promotoria avalia se houve violação do Estatuto da Criança e do Adolescente e se as atividades nas redes ultrapassam os limites legais de uso da imagem de menores.
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