O que você vai ler:
A Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu mais do que publicidade enganosa e ostentação de influenciadores ao investigar o jogo do tigrinho, aquele tipo de aposta online que aparece nas redes como promessa fácil de dinheiro e vida de luxo. Segundo apuração do Estadão, parte da grana que circula nesse esquema pode ter passado por canais usados por pessoas ligadas ao Comando Vermelho e ao PCC, duas das maiores facções criminosas do país.
O nome disso? Investigação em andamento. Mas o alerta já está dado.
O caminho da grana e a coincidência que chamou atenção
Tudo começou com a Operação Desfortuna, deflagrada no início de agosto, quando a polícia bateu à porta de 15 influenciadores digitais de Rio, São Paulo e Minas. Juntos, eles somam mais de 30 milhões de seguidores e agora são investigados por lavagem de dinheiro, estelionato e promoção de jogos ilegais.
A movimentação é bilionária. Literalmente: mais de R$ 4 bilhões nos últimos anos, segundo os investigadores.
Só que, ao seguir o caminho do dinheiro, a Polícia Civil achou algo que acendeu o sinal vermelho: o mesmo rastro financeiro usado pelos influenciadores para receber dos cassinos online aparece também em transações feitas por pessoas com ligação direta ao crime organizado.
Não significa, até agora, que os influenciadores sabiam disso, nem que estavam negociando com as facções. Mas o dinheiro passou por canais suspeitos. Segundo o delegado, há empresas e intermediadores financeiros que fazem parte tanto da rede usada pelos influenciadores quanto de movimentações atribuídas a membros do PCC e do Comando Vermelho.
Ostentação, contratos milionários e empresas de fachada
Quem acompanha o conteúdo dos influenciadores envolvidos já viu: carrões, jantares em Paris, viagens internacionais, festas, mansões e aquela ideia de que tudo isso veio “graças ao jogo”.
O problema, segundo a polícia, é que além da ilusão vendida ao público, há empresas de fachada por trás da carreira de alguns desses criadores de conteúdo. Essas empresas seriam usadas para misturar dinheiro legal (de publicidade) com dinheiro ilegal (dos jogos). E aí entra a suspeita de lavagem.
Tem influenciador que movimentou R$ 4 milhões em um ano. Os contratos variam: de R$ 250 mil por trimestre a comissões de até 50% do valor perdido pelos apostadores que entraram nos jogos via link divulgado por eles.
Ganhos simulados e promessa de vida fácil
Em meio às apurações, a polícia identificou vídeos em que os influenciadores fingem estar ganhando dinheiro ao vivo. Um deles, por exemplo, dizia que “acabou de pagar o jantar em Paris com uma rodada no tigrinho”.
Esse tipo de conteúdo, segundo a Polícia Civil, é proibido pela regulação brasileira porque cria a falsa expectativa de que o jogo pode mudar a vida do apostador, como teria mudado a do influenciador.
Prisões podem acontecer? Sim. Mas ainda não
Até agora, ninguém foi preso, mas o delegado não descarta a possibilidade. Ele explicou que, por enquanto, optou por medidas cautelares (como busca e apreensão), porque os investigados não representam risco de fuga ou ameaça à sociedade.
A investigação segue, e o material apreendido (celulares, computadores, contratos) está sendo analisado.
Ah, e a reportagem tenta contato com a defesa dos citados.

Entre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



