A Justiça do Rio Grande do Norte acatou a denúncia do Ministério Público do Estado (MPRN) contra 18 pessoas investigadas no PCC por envolvimento em lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia faz parte da Operação Argento, deflagrada em 14 de novembro pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Receita Federal e a Polícia Militar. As ações ocorreram simultaneamente em quatro estados: Rio Grande do Norte, São Paulo, Bahia e Pará.
De acordo com o MPRN, o esquema movimentou mais de R$ 1,6 bilhão entre 2014 e 2024, utilizando práticas sofisticadas para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. Entre as atividades ilícitas identificadas estão a criação de empresas de fachada, compra e venda de imóveis de luxo, movimentações financeiras em postos de combustíveis e até a aquisição de cavalos de raça. Por ordem judicial, foram bloqueados mais de R$ 2 bilhões e decretada a indisponibilidade de bens de 101 pessoas.

A estrutura da organização criminosa
A denúncia aponta que a operação era organizada em quatro núcleos, todos ligados a Valdeci Alves dos Santos, conhecido como “Pintado” ou “Tio”, suposto líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) fora do sistema prisional até 2022. Cada núcleo desempenhava funções específicas na lavagem dos recursos:
- Núcleo Pará: Liderado por Ronilso Sousa Rodrigues e Thelcia Kelly Coelho Oliveira, criava empresas de fachada e realizava triangulações financeiras para ocultar a origem do dinheiro.
- Núcleo Calafiore: Sob o comando de Sérgio Calafiore e Francisco Gilmar da Silva Junior, conduzia operações imobiliárias para integrar os valores ilícitos à economia formal.
- Núcleo Valdeci: Envolvia familiares e associados diretos de Valdeci, como Natacha Horana Silva e Tamiris Andrade Silva Alves, e focava na ocultação de ativos por meio de transferências bancárias em nome de terceiros.
- Núcleo Depositantes: Formado por pessoas de menor poder aquisitivo, realizava depósitos em espécie no sistema financeiro, facilitando a entrada dos valores ilícitos no circuito bancário.
Investigação detalhada
A operação identificou 468 contas bancárias relacionadas ao esquema do PCC, utilizadas para movimentar os valores ilícitos. Esses recursos foram direcionados a investimentos em imóveis, reformas e abertura de negócios aparentemente legítimos. A investigação também evidenciou uma hierarquia rígida dentro da organização criminosa, com papéis definidos para cada membro, demonstrando o alto grau de sofisticação na lavagem de dinheiro.
O Dina Explica
A Operação Argento destaca como o crime organizado no Brasil tem utilizado práticas empresariais e estruturas sofisticadas para ocultar a origem de seus recursos. Ao desarticular uma organização com um esquema tão complexo, as autoridades enfrentam o desafio de rastrear o fluxo financeiro e recuperar os valores desviados. Este tipo de operação também evidencia a importância da colaboração entre órgãos como o Gaeco, a Receita Federal e as forças de segurança para combater crimes de grande escala.
A condenação dos envolvidos com o PCC e a recuperação dos bens são passos essenciais não apenas para punir os responsáveis, mas também para enfraquecer a infraestrutura financeira do tráfico de drogas no país.
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