O ministro Alexandre de Moraes culpou a imprensa pela divulgação das mensagens que sugeririam interferência de sua equipe no devido processo legal, utilizando a estrutura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. As reportagens da Folha de S.Paulo trouxeram à tona essas mensagens, gerando questionamentos sobre a conduta do ministro e do TSE. Em seu primeiro pronunciamento após a publicação das matérias, durante a sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes criticou duramente a mídia e afirmou que a situação poderia ter sido evitada se o seu gabinete tivesse sido consultado previamente.
“Começo de forma clara o que, talvez, se houvesse uma consulta ao gabinete, teria ficado claro anteriormente a qualquer uma das matérias. Como dito, nenhuma das matérias preocupa o meu gabinete ou me preocupa”, disse Moraes, em uma tentativa de desqualificar as acusações. Ele ainda enfatizou que “não há nada a esconder” e que todos os documentos ou relatórios pedidos ao órgão de combate à desinformação do TSE estavam relacionados a pessoas que já eram alvo de investigações no STF.
Moraes também se defendeu das acusações de irregularidade ao explicar que, como presidente do TSE, não poderia se “auto-oficiar” para solicitar informações, afirmando que essa prática seria “esquizofrênica”. No entanto, o tom mais forte do discurso foi reservado para o ataque à imprensa. No final de sua fala, ele lamentou que “interpretações falsas, errôneas, de boa ou má-fé, acabem produzindo notícias fraudulentas para novamente tentar desacreditar o Tribunal Superior Eleitoral e as eleições de 2022”.
A declaração de Moraes foi acompanhada por manifestações de apoio dos ministros Roberto Barroso, atual presidente do STF, e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Eles expressaram solidariedade ao ministro e reforçaram a defesa da integridade do TSE e do sistema eleitoral brasileiro.
Essa postura de atribuir à imprensa a responsabilidade pela divulgação das informações coloca em destaque a relação tensa entre a mídia e o Poder Judiciário, especialmente em um momento de alta polarização política no país. A crítica de Moraes se soma a um histórico recente de confrontos entre figuras públicas e veículos de comunicação, elevando o debate sobre o papel da imprensa na fiscalização do poder e na manutenção da democracia.
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