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Home » A naturalidade do ‘relaxa, já foi’ após PM matar mulher inocente

A naturalidade do ‘relaxa, já foi’ após PM matar mulher inocente

Dinarte Assunção Por Dinarte Assunção
9 de abril de 2026
Tempo de Leitura: 3 mins
Imagem colorida de montagem com PM e fala embaixo. Metrópoles

Foto: Metrópoles

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Um áudio que deveria chocar, mas que talvez nem surpreenda mais. Minutos depois de uma policial militar atirar e matar Thawanna da Silva Salmázio, seu parceiro de viatura a consolou com uma frase que resume décadas de impunidade: “Relaxa, agora já foi”.

A morte aconteceu na madrugada de 3 de abril, no bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. Thawanna caminhava de mãos dadas com o marido quando uma viatura bateu o retrovisor no braço dele. O que deveria ser um pedido de desculpas virou execução.

A sequência da barbárie

As imagens de segurança mostram como tudo começou. O casal estava tranquilo na rua quando a viatura passou e atingiu Luciano dos Santos, marido de Thawanna. Os policiais voltaram não para se desculpar, mas para confrontar.

A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos, desceu da viatura já em atitude agressiva. Enquanto seu parceiro brigava com Luciano, ela partiu para cima de Thawanna. Em questão de minutos, a discussão virou tiro.

Logo após o disparo, o soldado Weden Silva Soares perguntou à parceira: “Você atirou nela?”. Yasmin respondeu que havia levado um tapa no rosto – como se isso justificasse matar uma pessoa.

Trinta minutos de agonia

O que veio depois talvez seja ainda mais revoltante. Thawanna ficou agonizando no chão por cerca de 30 minutos. Os próprios policiais tiveram que cobrar a presença do socorro pelo menos duas vezes. Ninguém prestou os primeiros socorros. Ninguém se desesperou para salvar uma vida.

Enquanto uma mulher morria lentamente na calçada, o clima entre os PMs era de normalidade. “Relaxa, já foi” – como se fosse mais um dia qualquer de trabalho.

A inversão da culpa

A Polícia Civil instaurou inquérito contra Luciano por “resistência”. Enquanto isso, Yasmin – a PM que atirou – consta como vítima no processo. É o Brasil em sua síntese mais cruel: quem mata vira vítima, quem morre vira culpado.

A versão oficial não bate com os fatos. Os policiais dizem que o casal estava bêbado e agressivo. As imagens mostram um casal de mãos dadas, caminhando tranquilamente até a viatura aparecer.

Em áudio captado por câmeras de segurança, Thawanna ainda tentou argumentar: “Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós”. Foram suas últimas palavras gravadas antes de ser executada por dizer a verdade.

A banalização da morte

O “relaxa, já foi” não foi um deslize. Foi a exposição de uma mentalidade institucional que trata a morte de civis como algo corriqueiro. Especialmente quando esses civis são pobres, negros, moradores da periferia.

Yasmin foi afastada e teve a arma recolhida – medidas protocolares que raramente resultam em punição real. A PM de São Paulo segue matando, e seus agentes seguem sendo consolados com a certeza de que “já foi”, que passou, que não vai dar em nada.

Para a família de Thawanna, porém, nunca vai “passar”. A naturalidade com que uma vida foi ceifada e a morte foi tratada talvez seja o aspecto mais assustador de todo esse caso.

Com informações de Metrópoles.

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Tags: RacismoSão PauloViolência Policial
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