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Home » A PM de 21 anos que matou mulher por ‘apontar o dedo’ no rosto dela

A PM de 21 anos que matou mulher por ‘apontar o dedo’ no rosto dela

Dinarte Assunção Por Dinarte Assunção
9 de abril de 2026
Tempo de Leitura: 2 mins
Imagem colorida de policial Yasmin Cursino apontando arma pra vítima. Metrópoles

Foto: Metrópoles

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As imagens da câmera corporal escancararam a brutalidade de uma abordagem policial que terminou com Thawanna da Silva Salmázio morta, no dia 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo.

O caso expõe de forma cristalina como falhas estruturais na Polícia Militar transformam situações banais em tragédias. E como a corporação protege seus agentes mesmo quando matam civis desarmados.

Como tudo começou: um retrovisor e uma discussão

A sequência é absurda. Uma viatura da PM passava pela Rua Edimundo Audran quando o retrovisor bateu no braço de Luciano dos Santos, marido de Thawanna. O casal estava caminhando de mãos dadas.

Os policiais voltaram. Em vez de se desculparem pelo acidente, começaram uma discussão. A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de apenas 21 anos, desceu da viatura e partiu para cima de Thawanna enquanto o colega brigava com Luciano.

Minutos depois, Yasmin atirou na mulher. A justificativa? Thawanna teria “apontado o dedo” no rosto dela e a “agredido”.

30 minutos de agonia no chão

O que aconteceu depois revela o descaso total. Thawanna ficou agonizando no chão por meia hora. Os próprios PMs precisaram cobrar o resgate pelo menos duas vezes.

Nas imagens, o policial parceiro de Yasmin questiona: “Você atirou nela?”. A resposta da soldado: que a vítima tinha batido no rosto dela.

Áudios de câmeras de segurança captaram parte da discussão. Thawanna chegou a dizer: “Com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Era a constatação do óbvio: os policiais tinham causado o acidente.

A inversão perversa do sistema

Aqui mora o escândalo maior. A Polícia Civil abriu inquérito contra Luciano por “resistência”. Ele virou réu. Yasmin, que matou sua companheira, consta como “vítima” no processo.

É a lógica invertida que protege quem mata e criminaliza quem sofre a violência policial. Luciano disse que colaborou com os PMs, tirou a blusa e colocou a bolsa no chão para mostrar que não oferecia perigo. Mesmo assim, levou spray de pimenta.

O padrão que se repete

Este caso não é isolado. É o reflexo de uma corporação que forma agentes para ver conflito onde há apenas cidadãos. Que ensina a sacar arma antes de tentar diálogo.

Yasmin tinha 21 anos. Provavelmente saiu da academia achando que portava a autoridade suprema nas ruas. Que qualquer “desacato” justifica violência extrema.

O resultado: uma mulher morta por “apontar o dedo”. Uma família destruída. Um Estado que mata seus cidadãos e depois os culpa pela própria morte.

As câmeras corporais deveriam servir para fiscalizar a ação policial. Neste caso, elas documentaram um homicídio. Resta saber se a Justiça terá coragem de chamar as coisas pelo nome.

Com informações de Metrópoles.

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Tags: Câmera CorporalSão PauloViolência Policial
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