O Que Você Vai Ler
O jogador era só a isca. O negócio era o pai.
Um pai que virou empresário. Um empresário que virou gestor. Um gestor que virou protagonista. Foi essa a transformação de Neymar da Silva Santos, mais conhecido como Neymar pai, descrita minuciosamente na reportagem e no podcast especial do UOL Prime, disponível apenas para assinantes. O material é assinado pelos jornalistas Pedro Lopes e Juca Kfouri. Um trabalho de 15 horas de entrevistas e acesso a mais de 6 mil páginas de documentos que detalham como o pai do craque virou uma potência do futebol… e também um operador temido nos bastidores.
Tanto poder — e tanto incômodo — que o próprio pai tentou tirar a reportagem do ar. O Blog do Dina fez um resumo dos principais apanhados do primeiro de seis episódios do podcast e reportagem que o acompanha
Mas aqui está ela. E a pergunta que resta é: o que ele não queria que você soubesse?
O Projeto Neymar: da Vila Belmiro para o mundo (e para os bolsos do Neymar Pai)

O plano era simples e audacioso: transformar Neymar em um “mito”, um produto global. Em 2010, o Santos propôs o “Projeto Neymar”: uma estrutura empresarial que pagaria um “salário europeu” ao jovem jogador com dinheiro da publicidade. O clube ficaria com 30% das receitas e a empresa do pai de Neymar, a NR Sports, com 70%.
Mas isso era só o começo.
Logo o percentual subiu: 90% da receita comercial passou a ser do pai. Ele também passou a decidir quais empresas poderiam usar a imagem do filho — muitas vezes sem o aval do clube. Camarotes, passagens executivas, hotéis de luxo e autonomia total sobre a carreira do filho viraram praxe.
E o Santos? Virou coadjuvante no negócio que girava milhões.
A reunião no Santander: “A gente tem um novo Ayrton Senna”
Foi em uma reunião no banco Santander que a ideia ganhou lastro. O Pai estranhou que, com todos os convidados presentes, havia uma cadeira vazia, ao que ouviu: “Até hoje, apenas o Ayrton Senna sentou nessa cadeira. Agora quem vai sentar nela é seu filho. Apresentado como “o novo Ayrton Senna”, Neymar foi vendido aos patrocinadores como um projeto de nacionalidade e orgulho nacional. A expressão foi usada por um executivo presente para convencer a instituição a embarcar no projeto. O banco entrou — e, em pouco tempo, o Santos perdeu o protagonismo sobre a própria estrela.
Com o tempo, a NR Sports passou a ficar com até 90% das receitas, decidindo inclusive quais empresas poderiam usar a imagem de Neymar, sem que o clube sequer participasse da negociação.
A manobra de 40 milhões de euros
Foi o pai quem selou um dos acordos mais controversos da história recente do futebol. Em 2011, Neymar já estava acertado com o Barcelona — mas o Santos, seu clube à época, só descobriria isso mais tarde, já depois de enfrentá-lo na final do Mundial de Clubes. O Barça pagou antecipadamente 10 milhões de euros diretamente ao pai, que receberia mais 30 milhões com a transferência final em 2013.
O clube que o revelou ficou de mãos abanando. E a DIS, dona de 40% dos direitos do jogador, moveu processo judicial até hoje não encerrado.
“Assino porque meu pai mandou”

Imagem: Divulgação/Netflix
Numa das falas mais chocantes da investigação, Neymar Jr. confessou em juízo que assinava contratos sem ler, apenas porque o pai mandava. Na audiência, repetiu várias vezes:
“Assinei porque meu pai mandou.”
“Ele não me explicou.”
“É meu pai, eu confio nele.”
É o retrato de uma estrutura familiar onde o talento do filho se converteu num mecanismo de monetização total. O que estava em jogo não era apenas o futebol. Era o controle absoluto.
Influência na seleção, na imprensa, nos clubes
Os documentos revelam que o pai de Neymar interferia até em entrevistas coletivas da Seleção Brasileira. A CBF submetia roteiros à aprovação dele, a Globo enviava reportagens para revisão e o pai tinha trânsito livre em vestiários — mesmo em Copas do Mundo.
No PSG, a movimentação do “clã Neymar” chegou a incomodar tanto que o clube restringiu o acesso deles às dependências. Mesmo assim, o pai manteve sua presença — e sua agenda.
A nova era: SAF, Blaze e a volta à Vila
Com a volta de Neymar ao Santos em 2025, a aposta é reeditar o projeto que deu certo — para o pai, principalmente. O craque ganha R$ 4,1 milhões por mês, mas a maior parte dos contratos ainda vai para a NR Sports.
A Blaze, casa de apostas acusada de práticas fraudulentas, foi levada ao clube por pelo pai de Neymar, que recebeu R$ 4,5 milhões de comissão sobre um patrocínio de R$ 45 milhões.
A divisão atual? 75% para o pai, 25% para o Santos. Há rumores, não confirmados, de que o empresário prepara, com investidores, a transformação do Santos em SAF — sob seu comando.

Imagem: Kazuhiro Nogi/AFP Photo
Por que ele quis esconder isso?
O conteúdo que você leu até aqui — e que está disponível no podcast Neymar, do UOL Prime — incomoda.
Neymar da Silva Santos, o Neymar pai, tentou — sem sucesso — censurar o podcast “Neymar”, produzido pelo UOL Prime, que expõe os bastidores do império bilionário construído ao redor do craque. A Justiça de Santos negou dois pedidos feitos por ele e pelo filho. A intenção? Impedir que a série fosse ao ar ou, no mínimo, forçar que o conteúdo fosse liberado previamente à família para avaliação. A juíza foi categórica: “Figura pública tem bônus e ônus”.
Assinada por Pedro Lopes e Juca Kfouri, a série se baseia em 6 mil páginas de documentos e 15 horas de entrevistas. Revela que, no Santos, Neymar pai passou a controlar até 90% das receitas de imagem do filho. No Barcelona, embolsou 40 milhões de euros antes mesmo da negociação ser pública. E em depoimento judicial, o próprio Neymar Jr. admitiu: “Assinei porque meu pai mandou”.
A influência ia além: pautas da TV Globo passavam por sua aprovação; a CBF pedia aval para perguntas em coletivas da Seleção; o PSG tentou restringir sua entrada no vestiário. Hoje, com Neymar de volta ao Santos, ele negociou a entrada da Blaze, casa de apostas controversa, e ficou com R$ 4,5 milhões de comissão sobre um patrocínio de R$ 45 milhões.
A família alegou não ter sido ouvida. Também mentiu. O UOL documentou tentativas de contato desde outubro de 2024, com e-mails enviados à assessoria e ao próprio Neymar pai — sem resposta.
Agora, a reportagem que ele tentou apagar está no ar. E você pode ouvi-la.
Neymar pai não queria que isso fosse ao ar. Tentou barrar. Não conseguiu.
Você, agora, já sabe por quê.
Episódios do Podcast
1º Episódio
2º Episódio
Os outros quatro episódios que contemplam a série não foram disponibilizados ainda no Youtube.
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