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O padre Júlio Lancelotti, um dos religiosos mais conhecidos do Brasil e símbolo da luta pelos direitos das pessoas em situação de rua, anunciou que vai parar de transmitir suas missas pela internet e que se afastará temporariamente das redes sociais. A decisão vem após anos de pressão e ataques – e, desta vez, teria partido de dentro da própria Igreja.
De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a ordem teria sido dada pelo cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. Procurada pela GloboNews, a Arquidiocese não confirmou nem negou, limitando-se a dizer que “eventuais questões tratadas entre o arcebispo e um padre dizem respeito ao âmbito interno da Igreja”.
A movimentação causou alvoroço nas redes, com especulações de que Lancelotti seria transferido de paróquia. O próprio padre desmentiu. Disse que continua na Paróquia São Miguel Arcanjo, na Mooca, Zona Leste de São Paulo, e que apenas entrou num “período de recolhimento”. Segundo ele, as missas dominicais continuam sendo celebradas presencialmente às 10h, na Capela da Universidade São Judas.
O que está por trás
Júlio Lancelotti tem mais de 2 milhões de seguidores nas redes e há anos usa essas plataformas como forma de visibilizar o que muitos tentam esconder: a miséria urbana e a violência institucional contra os pobres. Sua atuação à frente da Pastoral do Povo de Rua incomoda setores conservadores, tanto dentro quanto fora da Igreja.
Nos últimos meses, os ataques se intensificaram. O vereador Rubinho Nunes (União Brasil) chegou a protocolar uma CPI para investigar o trabalho de Lancelotti e de organizações que atuam com pessoas vulneráveis. Já o vice-prefeito da cidade de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), responsabilizou o padre pela formação de uma “nova Cracolândia”.
Lancelotti também é conhecido por denunciar a aporofobia — o preconceito contra os pobres — e por criticar políticas públicas que criminalizam a população de rua. Em meio a isso tudo, o silêncio institucional da Igreja e a orientação para que ele se afaste das redes levantam dúvidas sobre como a hierarquia católica lida com a pressão externa e com figuras de forte atuação social.
Mesmo diante das restrições, o padre reforçou sua “obediência à Arquidiocese de São Paulo”, mas o gesto foi interpretado por apoiadores como uma tentativa de silenciá-lo em um momento em que a pobreza urbana volta a crescer com força.
O que muda
Por enquanto, as missas seguirão acontecendo presencialmente, mas sem transmissão ao vivo. As redes sociais estão paradas, e o futuro da atuação pública de Lancelotti ainda é incerto. A dúvida que permanece: o afastamento foi mesmo só um recolhimento ou um recuo forçado?

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