Uma pastora quebrou o silêncio sobre um dos temas mais incômodos do meio evangélico brasileiro. No último sábado (2), durante o Congresso dos Gideões em Camboriú, a pastora Helena Raquel fez uma pregação que viralizou nas redes sociais ao confrontar lideranças religiosas sobre o acobertamento de casos de pedofilia na igreja.
Helena escolheu uma das passagens mais violentas da Bíblia para abrir sua mensagem: Juízes 19, que relata o estupro coletivo e assassinato de uma mulher entregue à multidão pelo próprio sacerdote que deveria protegê-la. “Nem sequer sabemos o nome dela”, disse a pastora, estabelecendo um paralelo direto com as vítimas silenciadas nos dias de hoje.
A coragem de falar o que ninguém quer ouvir
Durante a pregação, Helena foi direta: “Pedófilo não é ungido”. A frase se tornou o mote de uma mensagem que expôs a hipocrisia de lideranças que encobrem crimes sexuais dentro das igrejas. A pastora não poupou críticas aos líderes religiosos presentes no auditório.
“Como podemos nos chamar de ‘nação cristã’ quando sistematicamente encobrimos casos de pedofilia, violência doméstica e abuso sexual?”, questionou Helena durante sua fala. A pastora convocou a igreja a fazer diferente, assumindo o papel de “nação santa” que deveria proteger, não silenciar vítimas.
O Congresso dos Gideões tradicionalmente reúne lideranças evangélicas de todo o país. Raramente o evento presencia manifestações tão diretas contra práticas institucionais da própria igreja. A coragem de Helena em abordar o tema rendeu apoio massivo nas redes sociais, onde trechos da pregação foram amplamente compartilhados.
Mensagem para os dias de hoje
Helena usou a narrativa bíblica para fazer uma reflexão contemporânea sobre como uma sociedade trata suas mulheres e crianças. “A saúde espiritual de uma nação pode ser medida pela forma com que o povo trata suas mulheres e crianças”, afirmou a pastora.
A pregação acontece em um momento em que casos de abuso sexual em ambientes religiosos ganham mais visibilidade no Brasil. Helena pediu que lideranças religiosas assumam a responsabilidade de proteger vítimas em vez de proteger agressores. “Essa história não pode se repetir nunca mais”, concluiu.
Com informações de Folha de S.Paulo e UOL.
https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/05/no-congresso-dos-gideoes-uma-pastora-rompe-o-silencio-sobre-abuso-na-igreja.shtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



