A decisão do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (União Brasil), de desistir da disputa ao Senado veio com uma justificativa direta: falta de dinheiro.
Mas, olhando o histórico, a explicação revela mais do que um simples obstáculo de campanha. Ela expõe o peso determinante que o financiamento tem — especialmente quando se trata das candidaturas do ex-prefeito.
Ao longo dos últimos anos, Carlos Eduardo construiu campanhas sempre apoiadas em estruturas milionárias e forte dependência de recursos partidários. Desta vez, sem esse suporte, o projeto sequer foi levado adiante.
E há outro elemento que atravessa esse histórico.
Campanhas caras — e derrotas recentes
Os dados das eleições anteriores ajudam a entender o padrão:
- 2024 (Prefeitura de Natal)
→ R$ 6,4 milhões arrecadados
→ R$ 5 milhões vindos de partidos (≈ 78%) - 2022 (Senado)
→ R$ 2,6 milhões arrecadados
→ R$ 2,5 milhões de partidos (≈ 96%) - 2018 (Governo do RN)
→ Mais de R$ 5,5 milhões em despesas
→ Cerca de 66% com recursos partidários
Em comum, todas essas campanhas tiveram forte financiamento.
E também um mesmo desfecho: derrota nas urnas.
Desde 2018, Carlos Eduardo disputou três eleições majoritárias — governo, Senado e prefeitura — e não venceu nenhuma delas.
A oportunidade que não foi adiante
A disputa ao Senado, além de uma eleição majoritária, também representaria visibilidade política.
É o tipo de campanha que projeta nomes, amplia alcance e reposiciona lideranças no cenário estadual — mesmo quando não há vitória.
Ainda assim, a decisão foi encerrar o projeto antes mesmo de começar.
Sem dinheiro, sem candidatura
Segundo o próprio Carlos Eduardo, o União Brasil não disponibilizará fundo eleitoral para sua campanha.
“Não haverá disponibilidade do fundo eleitoral partidário para candidatura ao Senado no Rio Grande do Norte”, afirmou.
A prioridade do partido, segundo ele, será outra.
Sem o financiamento, não houve tentativa de viabilizar a candidatura por outros caminhos. O projeto foi interrompido.
Quando o recurso vira condição
É consenso que campanhas eleitorais exigem dinheiro.
Mas o histórico de Carlos Eduardo sugere algo além disso.
Suas candidaturas recentes foram marcadas por campanhas caras, fortemente financiadas e, ainda assim, sem sucesso eleitoral. Agora, diante da ausência de recursos, a decisão foi não disputar.
O contraste chama atenção.
Não se trata apenas da dificuldade de fazer campanha sem dinheiro — mas do peso que esse fator tem na própria decisão de entrar ou não no jogo.
O que fica
Carlos Eduardo afirma que seguirá contribuindo com o debate público “com ou sem mandato”.
Mas ao abrir mão de uma disputa majoritária que lhe daria visibilidade e protagonismo político, a decisão deixa um sinal claro.
Na prática, reforça uma lógica cada vez mais presente:
o dinheiro não apenas influencia campanhas.
Em alguns casos, ele define se elas sequer existem.
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