Enquanto a Polícia Civil investiga se o atentado sofrido por Cabo Deyvison tem relação com denúncias feitas pelo vereador sobre a atuação de facções criminosas, vídeos publicados pelo parlamentar ajudam a entender o tipo de atuação que marcou seu mandato nas periferias de Mossoró.
Policial militar de formação e vereador em primeiro mandato, Deyvison ganhou projeção política não apenas por fiscalizações em unidades de saúde e equipamentos públicos, mas também por ações voltadas ao combate simbólico da presença de facções em comunidades da cidade.
Em uma das gravações divulgadas em seu canal no YouTube, o parlamentar percorre bairros da zona urbana denunciando pichações atribuídas a organizações criminosas em escolas e prédios públicos. Durante o vídeo, ele chega a pintar por conta própria inscrições que associava a facções.
Na gravação, Cabo Deyvison classifica as pichações como uma forma de intimidação contra moradores das periferias.
“Isso daqui é terrorismo”, afirma ao mostrar inscrições em uma unidade de ensino.
Ao longo do vídeo, o vereador também exibe imóveis atingidos por disparos de arma de fogo e relata que moradores convivem com medo da violência. Segundo ele, motoristas de aplicativo e entregadores evitariam determinadas áreas por receio da atuação criminosa.
As críticas não eram direcionadas apenas aos grupos criminosos.
Em diversos momentos, Deyvison acusa o poder público de omissão diante da presença de pichações em patrimônios públicos e critica tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura de Mossoró por, segundo ele, não adotarem providências para remover as inscrições.
Outro aspecto que chama atenção é o tom de enfrentamento adotado pelo vereador.
Durante a gravação, ele afirma que continuaria realizando ações nas periferias mesmo diante de possíveis ameaças e menciona estar ciente dos riscos envolvidos nesse tipo de atuação. Em determinado momento, declara que estava “arriscando a própria vida” ao realizar a atividade.
A gravação também registra um episódio de tensão envolvendo a direção de uma escola. Enquanto pintava uma das pichações, o vereador afirma que foi orientado a interromper a ação por falta de autorização da direção da unidade. Mesmo assim, decidiu continuar a pintura e transformou o episódio em mais uma crítica à administração pública.
Esse tipo de conteúdo se tornou uma marca da atuação política de Cabo Deyvison.
Ao invés de restringir sua atuação à tribuna da Câmara Municipal, o vereador passou a produzir vídeos diretamente nas comunidades, visitando bairros periféricos, unidades de saúde, escolas e locais afetados pela violência.
Foi justamente durante uma dessas transmissões que ele acabou alvo do atentado registrado nesta semana.
Agora, uma das linhas investigativas da Polícia Civil busca esclarecer se a intensa exposição pública do parlamentar em temas ligados à criminalidade pode ter alguma relação com o ataque que deixou o vereador ferido e resultou na morte de Diego de Oliveira Morais, de 37 anos, que o acompanhava durante as gravações.
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