Um policial militar lotado no Centro de Operações da Polícia Militar (COPOM) procurou o Blog do Dina para relatar o que classifica como uma mudança silenciosa — e, segundo ele, insustentável — na rotina de quem opera o coração do sistema de segurança pública. A alteração da escala de serviço, que adotou modelo inspirado na Polícia Militar de São Paulo, está gerando desgaste físico, fricções internas e um sentimento de abandono entre os profissionais que atuam diretamente no atendimento de ocorrências.
De 5 para 12 serviços noturnos
O relato é direto: antes da mudança, um militar do COPOM cumpria cinco serviços noturnos por ciclo de escala. Agora, são 12. Mais que o dobro. E não se trata de patrulhamento de rua — é trabalho confinado, com 12 horas contínuas de exposição a telas de monitoramento e equipamentos sonoros de radiocomunicação.
O policial destaca um contraste que considera injustificável: os servidores do Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOSP), que atuam no mesmo ambiente físico, cumprem turnos de 6 horas, seguindo recomendações técnicas da Anatel para exposição a equipamentos de comunicação. Os militares do COPOM, submetidos às mesmas condições ambientais, trabalham o dobro do tempo.
O que diz o documento
A portaria que regulamenta a nova escala — obtida pelo blog — detalha os regimes para as equipes operacionais do COPOM:
- Equipes A e B: 12 horas de serviço por 36 horas de folga, seguidas de 12 horas por 60 horas de folga, sempre no período diurno (6h às 18h30).
- Equipes C e D: mesma dinâmica, porém fixas no período noturno (18h às 6h30).
- Equipe E: 12 horas por 48 horas de folga, alternando dia e noite.
O problema, segundo o denunciante, está na fixação de turno. Quem caiu nas equipes C ou D está preso ao noturno indefinidamente, sem a alternância que antes diluía o impacto sobre o organismo. A literatura médica sobre trabalho em turnos é farta em alertas: profissionais fixados no período noturno por longos períodos apresentam maior incidência de distúrbios do sono, problemas cardiovasculares e transtornos de humor.
Modelo importado, realidade ignorada
A decisão de adotar a escala paulista esbarra numa questão prática que o efetivo não deixa passar: São Paulo tem um contingente incomparavelmente maior. O que funciona para uma corporação com mais de 80 mil policiais militares pode se tornar predatório quando aplicado a um efetivo menor, sem a mesma capacidade de rodízio e reposição.
O militar resume o sentimento da tropa com uma frase que resume a contradição: “O governo comemora os números da segurança, mas quem faz o sistema funcionar está adoecendo por dentro.”
A mudança foi implementada pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC). A portaria prevê que qualquer modificação nos regimes de escala depende de “prévia autorização do Comandante-Geral, mediante solicitação fundamentada” — o que sugere que o novo modelo passou pelo crivo do alto comando. Resta saber se passou também por alguma avaliação de saúde ocupacional.
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