O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um Inquérito Civil para acompanhar o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) do policial penal Francisco Giovanny de Sousa Gonçalves, que foi condenado a 5 anos, 9 meses e 12 dias de reclusão pelo crime de tortura. A ação foi tomada pela 19ª Promotoria de Justiça de Natal, com o objetivo de investigar a conduta do servidor no âmbito administrativo e verificar as providências adotadas pela Secretaria de Estado da Administração Penitenciária.
Condenação por Tortura
Francisco Giovanny foi condenado sob a acusação de praticar tortura, conforme o artigo 1º, inciso II, parágrafo 4º, inciso I, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura). A sentença impôs uma pena significativa, evidenciando a gravidade do crime cometido, que fere princípios básicos dos direitos humanos e a ética no serviço público.
O crime de tortura é amplamente repudiado pelas convenções internacionais e pela legislação nacional, que considera sua prática um grave atentado à dignidade humana. A Lei de Tortura estipula penas rigorosas para aqueles que, no exercício de funções públicas ou em qualquer outro contexto, inflijam sofrimento físico ou mental com o intuito de obter informações, aplicar punições ou discriminar.
Ação do Ministério Público
Diante da condenação criminal, o Ministério Público do RN determinou a abertura do Inquérito Civil nº 6470288 para monitorar as providências administrativas tomadas contra o servidor público. O inquérito visa garantir que as sanções cabíveis sejam aplicadas no âmbito funcional, além das punições já impostas na esfera criminal.
As diligências iniciais incluem:
- Solicitação de informações à Secretaria de Administração Penitenciária sobre a situação funcional atual de Francisco Giovanny.
- Acesso ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD nº 008/2024), instaurado pela Secretaria, para apurar formalmente a conduta do servidor.
- Notificação ao Corregedor-Geral do Sistema Penitenciário, com pedido de juntada da portaria do Ministério Público ao processo administrativo em curso.
Processo Administrativo Disciplinar
O PAD contra Francisco Giovanny tem como objetivo verificar se ele poderá continuar a exercer suas funções de policial penal, considerando a gravidade da condenação. O inquérito administrativo busca garantir que, além das sanções penais, a conduta do servidor também seja avaliada no âmbito funcional, o que pode levar a medidas como suspensão ou até demissão.
O acompanhamento do Ministério Público é essencial para assegurar a aplicação das normas administrativas e garantir que não haja impunidade, especialmente em casos que envolvem crimes tão graves como a tortura. O cumprimento das normas disciplinares é crucial para a manutenção da integridade no serviço público e a proteção dos direitos humanos.
Desdobramentos
A investigação do Ministério Público é um passo importante para assegurar que a conduta inadequada de servidores públicos seja devidamente tratada. A aplicação de medidas administrativas adequadas pode garantir que o serviço penitenciário opere dentro dos parâmetros éticos e legais estabelecidos, especialmente em um contexto tão sensível quanto o sistema prisional, onde abusos de poder não podem ser tolerados.
O inquérito segue em andamento, com o Ministério Público aguardando as respostas da Secretaria e do Corregedor-Geral do Sistema Penitenciário.

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