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A taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, já começa a gerar efeitos diretos no Rio Grande do Norte. Entre os setores mais afetados estão o petróleo, sal marinho, fruticultura e pesca – pilares da economia potiguar, especialmente no mercado externo. A medida entra em vigor em agosto e é vista com preocupação tanto pelo governo estadual quanto por representantes da indústria e da agricultura.
Pescado, sal e frutas na mira da tarifa
Segundo Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), o prejuízo será imediato: o petróleo potiguar, que lidera as exportações do estado, poderá ter sua competitividade comprometida. As vendas desse produto cresceram 500% no comparativo entre os primeiros semestres de 2024 e 2025, saltando de US$ 4 milhões para US$ 24 milhões. O atum, por sua vez, tem 100% da produção voltada ao mercado americano. O mesmo ocorre com o sal: 25% da produção do estado vai para os EUA.
“Com a tarifa de 50%, as exportações ficam inviáveis. Só o sal pode perder 500 mil toneladas ao ano”, afirmou Airton Torres, presidente do Sindicato da Indústria de Sal do RN.
Fruticultura reduz expectativa de plantio
A fruticultura potiguar também sentirá o baque, mesmo que em menor escala. O presidente do Comitê Executivo de Fruticultura (Coex), Fábio Queiroga, afirma que produtos como melão e melancia exportados aos EUA representam apenas 5% do volume total. Ainda assim, os produtores já estão mais cautelosos e planejam reduzir o plantio em cerca de 3%.
Medida afeta investimentos e pode causar desemprego
De acordo com o economista Helder Cavalcanti, a taxação vai pressionar o dólar, encarecer produtos e impactar diretamente o consumo. No cenário potiguar, isso significa retração econômica e risco de desemprego em setores com alta dependência do comércio exterior.
A Secretaria da Fazenda do RN reforça essa avaliação: “Em setores como pescado e sal marinho, as exportações para os EUA chegam a 70%, o que deverá provocar um impacto devastador na geração de emprego”, disse o secretário Carlos Eduardo Xavier.
Setor produtivo cobra diplomacia do governo federal
Entidades do setor produtivo e representantes do comércio, como a Fecomércio-RN e a Abrafrutas, pedem uma atuação mais firme do governo federal para tentar reverter a decisão norte-americana. O temor é que a medida, além de atingir a economia local, leve a novos cancelamentos de contratos e retraia investimentos.
Marcelo Queiroz, presidente da Fecomércio-RN, ressalta: “Essa nova alíquota vai deteriorar a balança comercial brasileira, depreciar o câmbio e pressionar ainda mais a inflação. A resposta precisa ser diplomática e imediata”.

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