As tarifas americanas contra produtos brasileiros podem alcançar o patamar de 37,5% se duas investigações comerciais em curso se somarem, segundo análises do governo federal e especialistas do setor privado.
O cenário combina a sobretaxa de 25% anunciada contra o Brasil na madrugada de terça-feira (2) com uma possível tarifa adicional de 12,5% decorrente da investigação sobre trabalho forçado que abrange 60 países.
Para o Rio Grande do Norte, o impacto seria direto nas exportações do agronegócio, setor que tem os Estados Unidos como um dos principais mercados de destino. Frutas, castanhas e outros produtos primários do estado estariam na linha de fogo dessas medidas protecionistas.
Como as tarifas se combinam
Welber Barral, sócio-fundador da consultoria BMJ, explica que os americanos praticamente repetiram nas duas apurações do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) a mesma lista de exceções.
“As sobretaxas de 12,5% e 25% se aplicariam sobre a mesma gama de produtos, principalmente aqueles com potencial inflacionário nos EUA”, afirma o especialista.
A tarifa de 12,5% substituiria a atual sobretaxa de 10% aplicada a todos os parceiros comerciais americanos. Essa medida expira no final de julho, sendo substituída pela nova cobrança derivada da investigação sobre trabalho forçado.
Ainda não está claro sobre qual parcela exata da pauta exportadora brasileira essa tarifa máxima incidiria. O ministro Marcio Elias Rosa, do MDIC, informou que a tarifa de 25% se aplicaria a cerca de 21% das vendas brasileiras aos EUA.
Investigação sobre trabalho forçado
O USTR divulgou na madrugada desta quarta-feira (3) uma nova análise que inclui o Brasil entre 59 países investigados por suposto uso de trabalho forçado. A União Europeia também está no escopo.
Segundo o relatório americano, embora o Brasil proíba importações produzidas com trabalho forçado, “essas disposições não vedam legalmente a importação, para comercialização no mercado doméstico, de produtos fabricados total ou parcialmente com trabalho forçado em outros países”.
Este representa o pior cenário possível para as exportações brasileiras. Há possibilidade de que o governo americano estabeleça combinações para que uma investigação se sobreponha à outra, embora especialistas vejam isso como improvável.
Um grupo de trabalho bilateral foi criado após encontros entre os presidentes dos dois países, com prazo inicial de 30 dias para negociações. O período terminaria na próxima segunda-feira (7), mas as decisões comerciais americanas anteciparam essa dinâmica.
Com informações de UOL e Folha de S.Paulo.
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/06/tarifaco-contra-o-brasil-pode-bater-em-375-com-soma-de-investigacoes.shtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



