A estratégia de Donald Trump para a América Latina ganhou contornos mais nítidos nos últimos dias. Após elogiar publicamente Flávio Bolsonaro em encontro na Casa Branca, o presidente americano deixou claro que pretende interferir ativamente nas eleições da região — incluindo o pleito brasileiro de 2026.
Trump chamou o pré-candidato do PL de “jovem inteligente que ama muito o seu país” em postagem nas redes sociais. O elogio veio horas depois de Washington anunciar sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, numa aparente contradição que revela a complexidade da nova diplomacia americana.
O padrão latino-americano
A interferência de Trump em eleições da região não é novidade. O presidente americano apoiou abertamente candidatos conservadores na Colômbia, Argentina e Equador nos últimos meses — todos saíram vencedores.
Na Colômbia, Trump endossou Abelardo de la Espriella, que venceu o primeiro turno presidencial. O americano se referiu ao candidato pelo apelido “O Tigre” e prometeu “apoio total e irrestrito”. De la Espriella enfrentará no segundo turno o senador Iván Cepeda, descrito por Trump como “marxista de esquerda radical”.
Na Argentina, o governo americano ofereceu pacote de até US$ 40 bilhões para fortalecer Javier Milei antes das eleições legislativas de outubro. “Ele teve muita ajuda nossa. Eu o apoiei — uma recomendação muito forte”, declarou Trump após a vitória de Milei.
O mesmo padrão se repetiu no Equador e Honduras, onde Daniel Noboa e Nasry Asfura receberam apoio direto de Washington e venceram seus respectivos pleitos.
Brasil no radar
O encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro na semana passada rendeu frutos imediatos. Os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas — demanda que o filho de Jair Bolsonaro levou pessoalmente ao Salão Oval.
Em audiência no Congresso americano, o secretário de Estado Marco Rubio confirmou o alinhamento. Ao listar aliados na América Latina, excluiu o Brasil e o colocou ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela — países considerados adversários por Washington.
A estratégia revela uma nova doutrina: Trump não hesita em pressionar economicamente um país enquanto cultiva seus aliados políticos internos. As tarifas atingem o governo Lula, mas os elogios miram a oposição brasileira.
Com informações do G1.
https://g1.globo.com/mundo/blog/sandra-cohen/post/2026/06/03/com-elogios-a-flavio-bolsonaro-trump-aterrissa-na-campanha-eleitoral-brasileira.ghtmlEntre no grupo do Blog do Dina e receba tudo antes de sair no site.



