Com as eleições municipais batendo à porta e as temperaturas nas alturas, o Unicef faz um alerta urgente: os novos prefeitos e prefeitas precisam colocar as crianças e adolescentes no centro de suas políticas. A agência Brasil divulgou nesta segunda-feira (23) um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância que aponta um dado alarmante: no Brasil, 33 milhões de crianças já enfrentam o dobro de dias quentes em comparação aos seus avós, e as perspectivas são cada vez mais preocupantes.
Calor extremo: um inimigo silencioso para as crianças
De acordo com o Unicef, o número de dias extremamente quentes – com temperaturas acima de 35°C – aumentou de 4,9 por ano, na década de 1970, para 26,6 nos últimos anos. O estudo ainda revela que, além do aumento das temperaturas, as ondas de calor (períodos prolongados de calor intenso) são cada vez mais frequentes, afetando diretamente o bem-estar de meninas e meninos em todo o país.
Impactos na saúde infantil
As consequências das mudanças climáticas para as crianças vão muito além do desconforto térmico. O estresse causado pelo calor extremo aumenta o risco de desnutrição e de doenças como dengue e malária, que se espalham mais facilmente em altas temperaturas. Além disso, o calor afeta a qualidade do ar, do solo e da água, comprometendo a saúde, principalmente dos mais vulneráveis.
Desigualdades agravam a situação
Danilo Moura, especialista em Mudanças Climáticas do Unicef no Brasil, destaca que as consequências do calor extremo são ainda mais graves para crianças que já enfrentam desigualdades. “Esses impactos interrompem serviços essenciais como educação e segurança alimentar, além de aumentarem os deslocamentos forçados. E tudo isso afeta, principalmente, as crianças que já vivem em condições mais vulneráveis”, alerta Moura.
Apelo aos prefeitos: compromisso com a resiliência climática
Diante desse cenário preocupante, o Unicef pede que os candidatos às prefeituras se comprometam a preparar suas cidades para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Isso inclui, segundo a entidade, adaptar os serviços públicos e a infraestrutura, além de implementar ações focadas nas necessidades de crianças e adolescentes.
Protocolo para proteção de crianças em desastres
Uma das recomendações do Unicef é a incorporação do Protocolo Nacional para Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Situação de Desastres nos planos municipais. O documento orienta gestores públicos a tomarem medidas que garantam a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes em situações de emergência.
Um chamado para ação nas eleições de 2024
Essa pauta faz parte das cinco prioridades do Unicef na agenda “Cidade de Direitos – Cinco prioridades para crianças e adolescentes nas Eleições 2024”, que busca engajar candidatos e candidatas de todo o país a tomarem medidas concretas para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir que os direitos das crianças e adolescentes sejam priorizados nos próximos anos.
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