O empresário André Vorcaro, preso pela Polícia Federal em outubro de 2024, firmou acordo de delação premiada e implicou diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em um suposto esquema de venda de decisões judiciais. Os relatos de Vorcaro à PF descrevem uma rede de intermediação que, segundo o delator, envolvia também Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O que Vorcaro disse à PF
Nas sessões de delação, Vorcaro afirmou que atuava como intermediário em negociações envolvendo decisões judiciais no STF. Segundo o empresário, os pagamentos eram realizados por meio de estruturas financeiras que dificultavam o rastreamento — incluindo uso de terceiros, empresas de fachada e transações fracionadas.
O ponto mais grave do depoimento é a menção direta à esposa de Moraes. Vorcaro relatou que Viviane Barci teria participado de reuniões e teria conhecimento das tratativas financeiras ligadas ao esquema. O delator descreveu encontros presenciais e comunicações que, segundo ele, demonstram envolvimento direto do casal.
Contexto da investigação
Vorcaro foi preso no âmbito de uma operação que investiga a atuação de lobistas e intermediários junto a tribunais superiores. A delação foi homologada sob sigilo, mas trechos do conteúdo passaram a circular após decisão judicial que permitiu acesso parcial aos autos.
O empresário já era conhecido nos bastidores de Brasília como figura que transitava entre gabinetes e escritórios de advocacia com acesso privilegiado ao Judiciário. Sua prisão acelerou as negociações para o acordo de colaboração.
O que Moraes diz
O ministro Alexandre de Moraes nega qualquer envolvimento com o esquema descrito por Vorcaro. Em nota divulgada por sua assessoria, Moraes classificou as acusações como “infundadas e caluniosas” e afirmou que a delação é uma tentativa de obter benefícios processuais por parte de um réu confesso.
A defesa de Viviane Barci de Moraes também se manifestou, negando participação em qualquer reunião ou transação financeira mencionada pelo delator.
O que está em jogo
A delação de Vorcaro coloca em xeque a figura de Alexandre de Moraes num momento em que o ministro já enfrenta desgaste público por sua atuação nos inquéritos sobre o 8 de Janeiro e sobre milícias digitais. Se os relatos forem corroborados por provas materiais — documentos, transferências, gravações —, o caso pode se tornar o maior escândalo envolvendo um ministro do STF em exercício.
Aplicando a mesma régua que se aplica a qualquer agente público em qualquer poder: quanto mais alta a posição, mais grave o abuso. A investigação precisa avançar com rigor, sem proteção corporativa e sem uso político — nem para blindar, nem para destruir.
Por enquanto, há a palavra de um delator contra a negativa de um ministro. O que vai separar acusação de fato são as provas que a PF apresentar — ou não — ao longo da instrução.
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