A história do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, parece roteiro de thriller: hackers contratados para espionar o Ministério Público Federal, vazamento de operação sigilosa e uma tentativa de fuga digna de filme policial.
Em julho do ano passado, criminosos conseguiram invadir o computador do procurador Gabriel Pimenta e roubar toda a documentação da investigação contra Vorcaro. No dia seguinte, os arquivos secretos estavam no celular do ex-banqueiro.
O ataque cibernético foi descoberto dias depois durante uma varredura de segurança nos sistemas do MPF. Mas a espionagem não parou por aí.
O vazamento que mudou tudo
Mesmo com o mais alto grau de sigilo da Justiça, Vorcaro ficou sabendo com antecedência que o juiz Ricardo Leite havia assinado sua ordem de prisão na tarde de 17 de novembro. A informação vazou antes mesmo da operação Compliance Zero ser deflagrada.
O que aconteceu depois foi descrito por investigadores como “um contra-ataque digno de enredo cinematográfico”.
Enquanto a defesa apresentava uma petição para revogar qualquer medida cautelar, Vorcaro corria para conseguir autorização de voo para Malta, no Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, a Fictor Holding anunciava uma proposta de compra do Master — lance que investigadores consideram um teatro para facilitar a fuga.
A reunião que despertou suspeitas
Entre 13h30 e 14h10 daquele mesmo dia, Vorcaro se reuniu por videoconferência com diretores do Banco Central. Na conversa, falou de “soluções de mercado” e mencionou uma viagem a Dubai para negociar com investidores estrangeiros.
A fala despertou desconfiança no BC, especialmente porque o ex-banqueiro havia pedido para antecipar um encontro que estava marcado só para o fim da semana.
Enquanto isso, a Polícia Federal monitorava os movimentos de Vorcaro e identificou pelo menos três planos de voo diferentes — evidência de que ele realmente tentava fugir do país.
O “Sicário” e a rede de espionagem
As mensagens encontradas no celular de Vorcaro revelaram contato com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Ele coordenava um grupo chamado “A Turma”, responsável por obter informações, monitorar pessoas e usar violência.
Mourão foi encontrado morto em março, após tentativa de suicídio numa cela da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele havia sido preso na segunda fase da Compliance Zero.
No final, toda a estratégia de fuga falhou. Vorcaro foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos na noite de 17 de novembro.
O caso expõe como esquemas de corrupção financeira evoluíram, usando tecnologia avançada e redes de espionagem para tentar escapar da Justiça. Uma trama que envolveu 216 fundos, 143 empresas e R$ 12,1 bilhões em carteiras de crédito vendidas ao BRB.
Com informações de UOL.
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