O presidente Lula mudou drasticamente o discurso sobre o Supremo Tribunal Federal. Quem defendia a corte de forma intransigente contra os ataques de Jair Bolsonaro agora fala em reformas constitucionais e controle dos ministros.
A virada aconteceu após o escândalo do Banco Master abalar a imagem do STF. Lula e seus aliados perceberam que a direita pode usar a crise para ganhar pontos políticos nas eleições deste ano.
Em entrevista esta semana, o petista sugeriu mudanças na Constituição para detalhar melhor os critérios de indicação de ministros. Também mencionou a possibilidade de estabelecer mandatos para integrantes da corte.
Estratégia política por trás das críticas
A ofensiva não é casual. Auxiliares de Lula admitem que as críticas são uma tentativa de conter o desgaste político causado pelo escândalo Master. O governo teme que adversários transformem a crise em vantagem eleitoral.
Senadores governistas, liderados por Renan Calheiros, já articulam uma PEC para disciplinar o que ministros do Supremo podem ou não fazer. Mas Lula hesita: teme que a oposição bolsonarista sequestre qualquer projeto do tipo.
Nos bastidores, o presidente demonstra curiosidade sobre como outros países controlam suas cortes constitucionais. Pergunta sobre dispositivos criados nos Estados Unidos e projetos apresentados pela OAB.
A hipocrisia do discurso
Durante todo o governo Bolsonaro, Lula e o PT tratavam qualquer crítica ao STF como ataque à democracia. Defendiam a corte como instituição sagrada e intocável.
Agora, com o escândalo Master respingando no governo — gestões petistas na Bahia são citadas no caso —, a postura mudou completamente. As mesmas críticas que eram “golpismo” viraram “necessidade democrática”.
Colaboradores do presidente admitem que ele faz críticas severas às condutas que vieram à tona no escândalo. Por meses evitou manifestar essas opiniões publicamente para não alimentar contestações à legitimidade do tribunal.
Prevaleceu o argumento de que o governo não poderia virar as costas para uma crise já em debate na sociedade. Como resumiu um auxiliar: “Não podemos ser vistos como parte do problema criado pelos ministros”.
A mudança de postura expõe a natureza instrumental da relação entre PT e STF. Quando a corte perseguia Bolsonaro, era intocável. Agora que o escândalo mancha o governo, virou alvo de reformas.
Com informações de UOL.
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